IG4 negocia compra de dívida da Raízen e mira comando da empresa reestruturada

Gestora pretende liderar recuperação da produtora de açúcar e etanol após acordo envolvendo R$ 65 bilhões e afirma ter recursos para comprar créditos da companhia e alcançar participação de controle de 50,1%

'Nossa oferta está sobre a mesa”, afirmou o sócio fundador Paulo Mattos (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Cristiane Lucchesi
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Bloomberg — O fundo de private equity IG4 Capital disse ter capital suficiente para comprar a dívida da Raízen (RAIZ4) inteiramente à vista, se necessário, em sua busca por adquirir uma parcela suficiente das obrigações da produtora de açúcar e etanol em dificuldades para terminar com uma participação acionária de 50,1%.

No início deste mês, a Raízen obteve aprovação dos credores para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívida na maior reestruturação extrajudicial da história brasileira. A empresa, controlada conjuntamente pela Shell e Cosan (CSAN3), enfrentou dificuldades sob uma série de apostas estratégicas ruins, juros altos e safras fracas. Sob o plano aprovado, a Raízen converterá 45% de sua dívida em cerca de 80% do capital.

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“Não é um boato de mercado, nossa oferta está na mesa, estamos negociando e podemos oferecer uma saída agora a quem quiser”, disse o sócio-fundador Paulo Mattos em entrevista à Bloomberg News.


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A IG4 tem até março do ano que vem para comprar a dívida e respeitará o plano de reestruturação já aprovado, disse Mattos. O fundo não planeja uma abordagem hostil em relação a credores ou acionistas, e todos os termos, incluindo o preço, seriam negociados. Ele acrescentou que os preços de aquisição estariam muito provavelmente abaixo dos preços de mercado.

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Mattos disse que a IG4 quer assumir o controle da Raízen e instalar uma equipe de recuperação, não apenas oferecer aos credores estruturas de assessoria ou de fundos. Ele disse que a base de credores é fragmentada e conflitada demais para que a reestruturação funcione sem um investidor líder.

A IG4 planeja colocar quaisquer ações que obtenha por meio das compras de dívida num fundo de investimento, dando aos credores a opção de dinheiro, cotas do fundo ou derivativos atrelados a uma venda futura, disse ele.

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“As conversas estão mais avançadas com alguns bancos individualmente, e uma parte relevante deles quer ações do fundo, enquanto outros estão pedindo derivativos”, disse Hélio Novaes, CEO da IG4. “Já estamos discutindo preço e volume com esses bancos”, disse ele.

Ações da Raízen (RAIZ4)

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Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

A IG4 já manteve conversas informais com a FTI Consulting, que assessora os bancos, a Moelis, que assessora os detentores de títulos globais, e a Journey Capital, que assessora os detentores de títulos locais, segundo Novaes.

A partir de quarta-feira (24), a empresa planeja se reunir individualmente com esses representantes para discutir detalhes, ouvir o que eles querem e preparar uma proposta para cada um. As conversas estão apenas começando, e a IG4 ainda não sabe se conseguirá adquirir dívida suficiente para um negócio.

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“Parece que grande parte dos detentores de títulos locais e globais prefere dinheiro”, disse Novaes.

Leia também: IG4 fecha acordo para assumir o controle da Braskem após meses de incerteza

Alguns credores têm se mostrado céticos e confusos quanto à oferta, em parte porque a IG4 já administra uma complicada reestruturação na petroquímica Braskem (BRKM5) e porque não sabem exatamente quais termos lhes serão oferecidos.

Mattos disse que a IG4 é independente do BTG Pactual, rebatendo a confusão do mercado sobre a relação entre as duas. O BTG, assim como Bradesco e Santander, é um dos credores e investidores da IG4, mas não tem poder de decisão e não receberá tratamento especial, disse ele. “Somos uma gestora de ativos completamente independente”, disse ele.

Leia também: Braskem e IG4 enfrentam resistência de credores a plano de reestruturação, dizem fontes

A Raízen tem 32 usinas, das quais 24 estão ativas, disse Novaes. “Precisaremos fazer um estudo detalhado para ver quais devem receber investimentos e quais não”, disse Novaes, acrescentando que os indicadores de produtividade da empresa estão bem abaixo dos concorrentes e poderiam ser melhorados para elevar o valor.

A ideia também é negociar um plano com a Shell, que permanecerá como acionista relevante e injetará R$ 3,5 bilhões, disse ele. A Cosan não injetará capital e será fortemente diluída.

Sob o plano de reestruturação aprovado, a Raízen será dividida em duas: a produtora de açúcar e etanol e a empresa de distribuição de combustível. Ainda não há definição de quanto da dívida irá para cada empresa nem de quanto valerá cada negócio. A empresa de distribuição será vendida, segundo o plano.

O valor de mercado da Raízen é agora de R$ 4,35 bilhões, o que significa que 80% da empresa valem R$ 3,48 bilhões. É isso o que os credores que detêm pouco mais de R$ 29 bilhões em dívida receberiam se suas obrigações já tivessem sido convertidas em participação acionária e vendidas a preços de mercado.

-- Com a colaboração de Giovanna Bellotti Azevedo.

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