Takeat, de gestão de restaurantes, capta R$ 2 mi e quer triplicar a base de clientes

Startup capixaba desenvolveu um sistema usado atualmente por 2.500 estabelecimentos; com o aporte, a empresa espera chegar a 7.500 em 2025

Restaurante Le Du en Bangkok
24 de Março, 2025 | 11:03 AM

Bloomberg Línea — A capixaba Takeat recebeu um aporte de R$ 2 milhões para impulsionar o desenvolvimento do negócio. O investimento foi realizado por investidores-anjo como Marcel Malczewski, fundador da Bematech, Gustavo Fehlberg, ex-Burger King, Andries Oudshoorn, ex-CEO da OLX, e pelo Fundo Soberano do Estado do Espírito Santo (Funses).

A startup, que começou com a oferta de cardápio digital, evoluiu para uma plataforma de gestão dos restaurantes. Integra informações financeiras e contábeis, gestão de estoque, CRM, política de cashbacks e permite aos clientes dos estabelecimentos fazerem os pedidos e pagamentos diretamente pelo app ou tablet, diminuindo a pressão sobre o atendimento.

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O sistema é usado por 2.500 estabelecimentos, com concentração nas regiões Sul e Sudeste. A meta da startup, em operação desde 2020, é triplicar a base ao longo do ano.

No comando do negócio está o fundador Miguel Carvalho, engenheiro civil de formação. O jovem empreendedor, de 31 anos, usou a sua própria experiência como garçom como inspiração para criar a Takeat.

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Em ocasiões distintas, quando fazia escola técnica e no período de estágio da faculdade, Carvalho trabalhou como garçom em restaurantes das cidades de Vila Velha e Vitória, capital do estado, para complementar a renda.

“Trabalhei como freelancer na época da faculdade por três anos e meio numa hamburgueria e a minha tese de TCC foi lá, voltada para a logística de transporte para entregadores”, afirma Carvalho. Na passagem, conheceu mais sobre o ambiente interno, do salão à cozinha e ao caixa do negócio.

Quando decidiu empreender, o capixaba já conhecia o mercado e decidiu que o ideal seria olhar da porta para dentro. “Eu percebia que já tinha uns gigantes brigando ali pelo delivery, como o iFood e o Uber Eats (que encerrou a operação no Brasil)”, diz.

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O empreendedor sabia que as pessoas que estavam por trás do balcão e os garçons tinham uma dor maior: conviver com sistemas de companhias diversas, nem sempre com a possibilidade de fazer integrações.

“A nossa tese principal foi a de criar uma tecnologia para que os restaurantes pudessem substituir tudo o que eles usavam por um sistema único, proprietário nosso, desenvolvido por alguém que viveu todas aquelas dores”, diz, sobre o negócio que nasceu nos primeiros meses da pandemia de covid-19.

O ecossistema dos restaurantes

Ao longo do tempo, a startup agregou novos módulos de serviços. Os dois próximos são o fiscal, com uma IA que apresenta para os estabelecimentos como se adequar às regras estaduais e municipais e também buscar eventuais benefícios. O segundo é uma espécie de buscador de compras, mostrando onde os donos dos restaurantes podem encontrar os melhores preços em suas regiões.

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“Nós percebemos que esses dois pontos funcionam como uma alavanca para esses restaurantes reduzirem os custos das operações e estamos lançando nos próximos meses”, afirma Carvalho.

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No modelo de negócio, os clientes pagam uma assinatura de acordo com a quantidade de módulos de adquirem com a Takeat. Uma versão “performance”, calculada de acordo com o número de consumidores que a startup consegue levar aos salões dos restaurantes, também está disponível.

De acordo com o CEO, na média, os restaurantes obtém até 40% de diminuição nos custos da operação ao contratarem os serviços da Takeat. O tíquete médio mensal fica em torno de R$ 400,00 e o valor dos módulos varia entre R$ 200,00 e R$ 1,500,00.

Hoje, mais da metade do time comercial é formada por ex-garçons, o que Carvalho coloca como um dos diferenciais. “Eles entendem a fundo todas as dores do restaurante, sabem o que acontece nos restaurantes e alguns dos meus melhores vendedores são ex-garçons”, afirma.

Com a entrada dos novos recursos, a startup prevê aumentar o time para cerca de 100 pessoas - atualmente, são 67. As contratações procuram acelerar o ritmo de expansão.

“A nossa estratégia está muito voltada para aumentar a densidade, especialmente em grandes cidades como São Paulo”, diz. A startup está abrindo um escritório na capital paulista para acelerar o movimento.

Em 2024, a Takeat fechou com faturamento de R$ 4,6 milhões, alta de 110% em relação aos números de 2023. A previsão para este ano é chegar a R$ 12 milhões, o equivalente a 160% de crescimento.

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Marcos Bonfim

Jornalista brasileiro especializado na cobertura de startups, inovação e tecnologia. Formado em jornalismo pela PUC-SP e com pós em Política e Relações Internacionais pela FESPSP, acumula passagens por veículos como Exame, UOL, Meio & Mensagem e Propmark