Startup Merama capta US$ 215 milhões, atrai Marcel Telles, da 3G, e mira aquisições

Com um modelo de holding de marcas, a empresa levantou US$ 45 milhões em equity e US$ 170 em dívida com BTG Pactual, Citi e Itaú; empresa é dona da marca de suplementos Growth

Holding é dona atualmente de seis marcas, incluindo os suplementos Growth e os cosméticos da Océane, no Brasil. (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)
02 de Abril, 2025 | 12:16 PM

Bloomberg Línea — A Merama, holding que atua como uma casa de marcas digitais, levantou US$ 215 milhões em rodada de investimentos que mistura capital de equity e de dívida, para avançar com o plano de expansão de suas empresas, entre elas a marca de suplementos Growth.

Na nova rodada, a holding captou US$ 45 milhões em equity e atraiu Marcel Telles, um dos sócios do empresário Jorge Paulo Lemann na gestora 3G Capital.

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O investimento foi acompanhado por fundos que já faziam parte do cap table como Advent International, SoftBank, Balderton Capital, Monashees e Valor Capital.

Esse é primeiro investimento desde 2021, quando a empresa captou uma Série B de US$ 225 milhões e foi alçada ao status de unicórnio, como são chamadas as startups com valuation superior a US$ 1 bilhão.

Apesar do valor menor captado, o valuation da startup continuou acima de US$ 1 bilhão. De acordo com o CEO, o americano Sujay Tyle, a expectativa é de que este seja a última captação em equity da holding.

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BTG Pactual, Citi e Itaú puxaram a captação em dívida no valor de US$ 170 milhões. A Merama já tinha tomado uma linha de crédito de US$ 80 milhões no ano passado com o JP Morgan.

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A Merama foi fundada em 2020 por Sujay Tyle, pelos brasileiros Renato Andrade e Guilherme Nosralla, e os mexicanos Felipe Delgado e Olivier Scialom.

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A holding é dona atualmente de seis marcas: os suplementos Growth e os cosméticos da Océane, no Brasil; a loja infantil Bebesit, no Chile, e os marketplaces de itens e utensílios para o lar Avera, MundoIn e Mercadazo, no México.

A Growth, marca de suplementos brasileira que fatura mais de US$ 500 milhões só com vendas online, é o principal ativo da holding. Adquirida há três anos, a empresa cresceu 15 vezes desde então, segundo dados internos.

Em cada uma das operações, a empresa detém mais de 90% do capital do negócio e mantém os fundadores na liderança.

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A companhia segue uma estratégia de aquisição de ativos digitais na América Latina, as chamadas DNVBs (Digitally Native Vertical Brand), que possam ser acelerados a partir de investimentos em marketing e ampliação da capacidade produtiva e logística.

As americanas Thrasio e Persh serviram de inspiração para o modelo.

“Fazemos uma escolha das melhores categorias e colocamos o melhor capital por trás desses ativos. Essa é uma das nossas maiores vantagens. Temos mais dinheiro do que qualquer outro concorrente e isso nos permite uma capacidade produtiva maior, com mais desenvolvimento de produtos e mais marketing melhor do que qualquer outro”, afirma o CEO, Sujay Tyle.

Sujay Tyle, co-fundador e CEO: o nosso primeiro foco com os novos investimentos é considerar novas aquisições para as nossas empresas

Da tese inicial de ter um extenso portfólio de empresas, a Merama migrou a estratégia para focar nas atuais seis marcas e crescer a partir delas, seja organicamente ou a partir de aquisições.

“Vemos muitas oportunidades de comprar empresas, mas agora o crescimento será a partir desses negócios que nós já temos. Por exemplo, a Growth Supplements pode adquirir um dos concorrentes, mas a Merama não”, diz Tyle.

Em média, segundo ele, os negócios adquiridos pela holding crescem no ritmo entre 25% e 30% ao ano, operam no positivo e têm gerado caixa.

Os planos da Merama com o novo capital

Os recursos do novo aporte de equity e dívida serão usados para acelerar a expansão dos negócios, em seus devidos mercados e países de atuação.

“A primeira coisa é considerar novas aquisições para as nossas empresas. A segunda é que queremos ter certeza de que temos muito caixa no negócio, com fornecimento e estoque suficientes. E a terceira, que é crítica na operação, é que iremos expandir a nossa capacidade produtiva e logística em todas as nossas marcas”, diz o executivo.

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No caso da Growth, a Merama trabalha atualmente na ampliação do parque fabril e de instalações logísticas. E as oportunidade de M&A podem complementar o portfólio da brasileira, que vende de creatina e whey a acessórios para musculação e roupas de treinos.

Comercializados apenas em canais proprietários, os produtos devem ganhar novos canais de distribuição ao longo dos próximos semestres. A internacionalização, porém, não está no radar por ora, segundo o executivo.

“Temos muitas oportunidades no Brasil. Diria que estamos apenas arranhando a superfície. Vamos construir muitos outros produtos e expandir a capacidade de manufatura. Isso vai aumentar o nosso negócio no Brasil e nos manter muito ocupados por um certo tempo”, diz o executivo.

Com os esforços, a holding procura posicionar as marcas para os “próximos capítulos” em suas jornadas de negócio.

“Muito provavelmente, iremos pensar em seis diferentes estratégias, baseadas em cada uma das empresas. A Growth, que é a mais óbvia, pensamos que pode abrir capital um dia. Seguiremos construindo marca até lá, assim como para as outras empresas”, afirma o CEO.

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Marcos Bonfim

Jornalista brasileiro especializado na cobertura de startups, inovação e tecnologia. Formado em jornalismo pela PUC-SP e com pós em Política e Relações Internacionais pela FESPSP, acumula passagens por veículos como Exame, UOL, Meio & Mensagem e Propmark