Bloomberg Línea — Os primeiros três meses do ano registraram um menor volume de aportes em startups na América Latina, incluindo o Brasil, que concentra os maiores valores investidos na região.
O país encerrou o período com US$ 482 milhões em investimentos de venture capital, montante que representou 42% do US$ 1,1 bilhão levantado na América Latina.
O resultado representa uma queda de 75% nos investimentos em startups do país na comparação com o último trimestre de 2024, quando as startups locais obtiveram US$ 1,9 bilhão.
Em relação aos primeiros três meses do ano passado, período em que as empresas receberam US$ 1,2 bilhão, a retração ficou em 59%.
Os dados são da Sling Hub, plataforma que acompanha as movimentações das startups latino-americanas.
Os números retratam a perda de participação do país nos volumes arrecadados na região. Historicamente, o Brasil responde por mais da metade dos aportes. No primeiro trimestre, o percentual em valor ficou em 42%, embora com 55% no número de rodadas. Foram 147 rodadas na região, 88 no Brasil.
As fintechs mantiveram o posto de liderança por ramo de atuação, capturando 52% dos investimentos. Startups de energia (18%), cleantechs (6%) e HRtechs (4%) aparecem na sequência.
As maiores captações ficaram com a brasileira Solfácil, com US$ 171 milhões, a partir da emissão de FIDCs, e com a mexicana Plata, com US$ 160 milhões, valor que permitiu à startup alcançar o status de unicórnio. Foi a primeira empresa latino-americana a atingir o valuation bilionário em 2025.
Veja os principais aportes da semana:
Merama
Com um modelo de holding de marcas, a Merama levantou US$ 215 milhões em equity e dívida. A empresa é dona de seis marcas, incluindo as brasileiras Growth Supplements e a Océane, de cosméticos.
A holding captou US$ 45 milhões em equity e atraiu Marcel Telles, um dos sócios de longa data de Jorge Paulo Lemann na gestora 3G Capital. O investimento foi acompanhado por fundos que já faziam parte do cap table como Advent International, SoftBank, Balderton Capital, Monashees e Valor Capital.
Os recursos do novo aporte de equity e dívida serão usados para acelerar a expansão das marcas, em seus devidos mercados e países de atuação. Aquisições que tragam complementaridade de produtos e ampliação dos parques fabris e logísticos estão no radar.
Felix Pago
A fintech de remessas Felix Pago captou US$ 75 milhões em rodada Série B liderada pela QED Investors. A startup, com sede em Miami, movimentou mais de US$ 1 bilhão em transferências de dinheiro em 2024, por meio da sua plataforma de operações pelo WhatsApp.
Os novos recursos serão utilizados para ampliar a oferta de produtos e expandir a operação para a América Latina. Depois de chegar a mercados como México, El Salvador, Guatemala, Honduras e República Dominicana, a Felix Pago planeja entrar na Colômbia, no Equador e no Peru.
A startup quer ir além dos serviços de remessas e entrar em setores como crédito e contas poupança.
Divibank
Criada como uma plataforma de financiamento para campanhas de marketing digital, a Divibank “pivotou” o modelo ao longo do ano passado para focar na orquestração de pagamentos. Em meio às mudanças, a fintech anunciou a captação de US$ 8,9 milhões - ou cerca de R$ 47 milhões - em rodada liderada pela Better Tomorrow Ventures.
O novo capital chega para acelerar o desenvolvimento da plataforma e para investimentos em tecnologia. A startup soma 40 clientes ativos e tem crescido em setores como turismo, educação, beleza e bem-estar. A expectativa é que haja uma alta na receita superior a 10 vezes ao longo de 2025.
A rodada contou com a participação de novos investidores, como Alter Global, Allievo Capital, Endeavor Scale-Up Ventures e Presight, além daqueles já no cap table, como MAYA Capital, Clocktower Ventures, Magma Partners, Gilgamesh Ventures e Rally Cap Ventures.
Homelend
A Homelend, startup focada em crédito e construção imobiliária, levantou R$ 50 milhões em uma emissão de CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), em parceria com a RBR Asset. Os recursos serão usados para o financiamento de casas com projetos personalizados no interior de São Paulo.
No modelo, a startup pretende aplicar taxas de juros a partir de 11,53% ao ano. A linha de crédito cobre até 80% do valor total do imóvel, incluindo casa e lote. Os prazos são de até 30 anos.
A Homelend está no mercado desde 2018 e tem a Astella e a Jera Capital, além da Endeavor Scale-Up Ventures e Endeavor Catalyst, como os principais investidores. Somando linha de crédito e equity, a startup acumula mais de R$ 200 milhões em captações.
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