Aposta do SoftBank, fintech indiana Juspay chega ao Brasil de olho em pagamentos

Fintech que está prestes a entrar para o seleto grupo de unicórnios, segundo a mídia de seu país, opera hoje em mais de 50 países; o co-fundador Sheetal Lalwani conta os planos à Bloomberg Línea

A fintech opera no universo de orquestração de pagamentos e combina produtos de autenticação dos usuários, tokenização, gerenciamento de fraudes, reconciliação de ponta a ponta e análise unificada das transações
02 de Abril, 2025 | 09:48 AM

Bloomberg Línea — O Brasil é o novo mercado de expansão da fintech indiana Juspay, em movimento que também marca a entrada da fintech na América Latina.

Posicionada como uma das maiores empresas de orquestração de pagamentos no gigante asiático, a startup opera hoje em mais de 50 países, como consequência de uma jornada de expansão global iniciada nos últimos três anos.

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De acordo com notícias que circulam na mídia indiana, a Juspay está prestes a entrar para o seleto grupo de unicórnios e negocia uma rodada de US$ 150 milhões.

À Bloomberg Línea, Sheetal Lalwani, COO e co-fundador da Juspay, confirmou as negociações, mas não o valor. A startup é investida de fundos globais como SoftBank, Accel e o VEF. O último aporte aconteceu em 2021, uma rodada Série C de US$ 60 milhões liderada pelo SoftBank.

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O desembarque no Brasil começou a ser aventado no início do ano passado, após recomendações do mercado por parceiros como Visa e Mastercard. Com a decisão tomada, a estrutura passou a ser montada a partir de agosto.

No momento, o time, comandado pelo diretor de expansão Shakthidhar Bhaskar, conta com cinco pessoas e prevê a contratação de mais 15, entre as áreas de produto, desenvolvimento e comercial. Na Índia, outros 50 engenheiros devem ser adicionados à equipe com dedicação exclusiva à operação brasileira.

“Nós começamos estimando um investimento de US$ 10 milhões para os próximos anos como um valor mínimo. Se precisar investir mais, faremos isso. É uma alocação para garantir que temos compromisso de longo prazo no Brasil”, afirmou o COO e co-fundador da Juspay.

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No mercado desde 2012, a Juspay, com sede em Bangalore, na Índia, conta com mais de 1.200 colaboradores, distribuídos por escritórios nos Estados Unidos, no Reino Unido, em Singapura e Dubai.

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A fintech opera no universo de orquestração de pagamentos, em que combina produtos de autenticação de usuários, tokenização, gerenciamento de fraudes, reconciliação de ponta a ponta e análise unificada das transações.

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No fim do dia, é um negócio que precisa “raciocinar” com velocidade extremamente ágil e, ao mesmo tempo, evitar fraudes e diminuir os falsos positivos para que os seus clientes possam ampliar as vendas e a receita com a devida segurança. Para fazer isso, conta com mais de 300 integrações, incluindo a Rede, do Itaú e o Mercado Pago.

Sheetal Lalwani, co-fundador da Juspay: entramos no Brasil com o compromisso de investimento de longo prazo

Por dia, a empresa processa mais de 200 milhões de transações globalmente, volume que levou a mais de US$ 670 bilhões em volume processado em 2024. O foco da startup está em empresas de grande porte e com elevado volume de transações digitais, a exemplo de Google e Amazon.

“Nós estamos trazendo os nossos produtos core que oferecemos na Índia. Essa camada de orquestração, que é uma tecnologia end-to-end, permite a gestão da jornada, com roteamento inteligente e switching dos pagamentos”, disse.

“E o segundo produto é uma infraestrutura para o Pix, que conversa com as infraestruturas do Banco Central e que pode ser usada não apenas pelos lojistas mas também pelas fintechs no futuro”.

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A decisão pela entrada no Brasil acompanha a evolução do mercado de pagamentos e também as semelhanças entre os mercados indiano e brasileiro, cada dia mais avançados e com mais opções e menos dependentes dos cartões de débito e crédito.

A Juspay, por exemplo, participou do desenvolvimento do protocolo do UPI, o sistema de pagamento em tempo real que inspirou o Pix.

“Os modelos de pagamento estão mais diversos e complexos, com os reguladores fazendo mudanças constantemente. Quando nos recomendaram a entrada no Brasil e começamos a falar com os varejistas, percebemos que eles têm o mesmo mesmo tipo de problema que nós estávamos resolvendo há cinco ou sete anos na Índia”, afirma Lalwani.

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Marcos Bonfim

Jornalista brasileiro especializado na cobertura de startups, inovação e tecnologia. Formado em jornalismo pela PUC-SP e com pós em Política e Relações Internacionais pela FESPSP, acumula passagens por veículos como Exame, UOL, Meio & Mensagem e Propmark