TikTok pode pagar € 500 mi em multas por envio ilegal de dados à China, dizem fontes

Empresa violou o Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia ao enviar as informações para a China para serem acessadas por engenheiros, disseram fontes consultadas pela Bloomberg News

Signage at the TikTok Inc. offices in Singapore, on Friday, Aug. 4, 2023. TikTok, the popular music video app, is owned by China's ByteDance Ltd.
Por Samuel Stolton
03 de Abril, 2025 | 10:57 AM

Bloomberg — A ByteDance, proprietária do TikTok, deverá receber uma multa de privacidade de mais de € 500 milhões (US$ 553 milhões) por enviar ilegalmente dados de usuários europeus para a China, aumentando a crescente reação global contra o aplicativo de compartilhamento de vídeos.

A comissão de proteção de dados da Irlanda, principal órgão regulador da empresa na Europa, emitirá a penalidade contra o TikTok antes do final do mês, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

PUBLICIDADE

A medida foi tomada depois que uma longa investigação descobriu que a empresa chinesa violou o Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia ao enviar as informações para a China para serem acessadas por engenheiros, acrescentaram as pessoas, que falaram sob condição de anonimato.

Leia também: Amazon faz oferta de ‘última hora’ para comprar o TikTok nos EUA, segundo NYT

A penalidade provavelmente será a terceira mais alta já aplicada pelo órgão irlandês, depois de multas anteriores de € 746 milhões contra a Amazon e de € 1,2 bilhão contra a Meta Platforms, proprietária do Facebook, acrescentaram as pessoas.

PUBLICIDADE

O tamanho exato da multa do TikTok e o momento da decisão não são definitivos e ainda podem mudar, disseram eles.

O TikTok não pôde ser contatada imediatamente para comentar o assunto. A comissão irlandesa de proteção de dados não quis comentar.

De acordo com o GDPR, as agências nacionais onde as empresas estrangeiras têm suas bases na UE assumem a liderança no policiamento das regras. A decisão pode ser apelada pela TikTok aos tribunais irlandeses.

PUBLICIDADE

A multa iminente ocorre no momento em que a ByteDance enfrenta um prazo de 5 de abril para encontrar um comprador para as operações do TikTok nos EUA ou ver o aplicativo banido no país.

A Amazon tornou-se o último grande nome a entrar na briga, apresentando uma proposta à Casa Branca para comprar uma empresa que já foi avaliada em US$ 60 bilhões.

A AppLovin, menos conhecida, também está buscando apoio para sua própria oferta de aquisição. Os dois aumentam uma lista já eclética de possíveis proprietários do aplicativo que está no centro das tensões entre os EUA e a China.

PUBLICIDADE

Como parte da decisão da comissão de proteção de dados da Irlanda, o órgão regulador ordenará que a TikTok suspenda o processamento ilegal de dados na China dentro de um prazo determinado.

A China há muito tempo provoca a ira de ativistas de privacidade, que afirmam que o regime de vigilância em massa do país viola os direitos fundamentais.

Leia também: US$ 20 bi pelo TikTok: MrBeast e CEO da Roblox se unem em oferta pela rede nos EUA

O TikTok já esteve na mira da comissão irlandesa de proteção de dados antes. Em setembro de 2023, ela foi multada em 345 milhões de euros por supostos lapsos na forma como cuida dos dados pessoais de crianças.

O órgão de fiscalização também soou o alarme sobre as grandes empresas de tecnologia que enviam dados pessoais de cidadãos europeus para fora do bloco de 27 membros, aplicando uma multa recorde de 1,2 bilhão de euros contra a Meta Platforms, proprietária do Facebook, por não proteger informações pessoais dos serviços de segurança americanos.

A investigação irlandesa sobre o TikTok começou em 2021, quando a então chefe do órgão regulador, Helen Dixon, afirmou que os dados dos usuários da UE poderiam ser acessados por "engenheiros de manutenção e IA na China".

O órgão de fiscalização irlandês supervisiona muitas das maiores empresas de tecnologia do mundo, incluindo as atividades de grande parte do Vale do Silício, devido ao seu papel como porta de entrada do setor para a UE de 27 países.

Veja mais em bloomberg.com