Os bilionários com maior queda da fortuna em 2025. E quem ganhou - além de Buffett

Perdas nas bolsas sob efeito das incertezas com as políticas de Trump e questões de certas empresas levaram ao raro tombo nos patrimônios; Buffett, por outro lado, ficou US$ 24,3 bilhões mais rico

Warren Buffett, chairman and chief executive officer of Berkshire Hathaway Inc.
05 de Abril, 2025 | 04:10 PM

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Bloomberg Línea — Das 20 pessoas mais ricas do mundo, 14 tiveram queda no valor de suas fortunas no primeiro trimestre de 2025, em um começo de ano desafiador para o investimento em bolsa, que reserva boa parte do patrimônio desse seleto grupo.

Entre as exceções estiveram investidores como Warren Buffett, fundador e CEO da Berkshire Hathaway (BRK/A), cuja riqueza aumentou em US$ 24,3 bilhões nesse período; e o empreendedor e filantropo Bill Gates, cofundador da Microsoft (MSFT), cuja fortuna aumentou em US$ 2,03 bilhões, de acordo com números compilados do Bloomberg Billionaires Index.

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As fortunas dos maiores bilionários sofreram com a volatilidade que atingiu os mercados financeiros diante da incerteza sobre as políticas comerciais de Donald Trump e as repercussões em diferentes setores, bem como situações específicas das mesmas empresas, como no caso da Tesla (TSLA).

O S&P 500 encerrou o período com queda de 4,6%, e o Nasdaq Composite, de 10%: em ambos os casos, foi a maior desvalorização trimestral desde 2022.

“Sem dúvida, a volatilidade do mercado tem influência, já que muitas dessas fortunas dependem de empresas cujas ações estão listadas na bolsa de valores e podem perder valor em períodos de queda”, disse o analista financeiro Gregorio Gandini à Bloomberg Línea.

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Esse é precisamente o caso de Elon Musk, cuja riqueza foi afetada pela queda nas expectativas de vendas da Tesla e pelos protestos e boicotes relacionados ao seu envolvimento no governo de Donald Trump e na política de outros países em geral, disse o analista.

Leia mais: Estas são as 10 maiores empresas familiares do mundo e da América Latina

Entre os 20 maiores bilionários, Elon Musk foi o que viu sua fortuna cair mais no trimestre, com uma queda de US$ 116 bilhões para US$ 316 bilhões (em 31 de março), embora tenha mantido seu status como a pessoa mais rica do mundo no período.

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Musk sofre pressões diferentes com a Tesla, cujas ações atingiram um recorde histórico no mês seguinte à eleição de Donald Trump, mas caíram cerca de 45% em relação ao pico de 17 de dezembro.

A montadora informou na quarta-feira (2) que entregou 336.681 veículos nos primeiros três meses do ano, o número mais baixo desde o segundo trimestre de 2022.

A empresa de Musk também sofre ataques a estações de recarga e até mesmo a veículos de clientes, tanto nos EUA quanto no exterior, o que estaria associado ao seu envolvimento com a administração Trump.

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Elon Musk reconheceu que seu trabalho como chefe dos esforços do presidente Donald Trump para reduzir o tamanho do governo está “lhe custando muito” em comparação com seu trabalho como CEO da Tesla.

Veja a seguir outros dos maiores bilionários do mundo que tiveram retração no tamanho de suas fortunas neste começo de 2025:

Larry Ellison

Larry Ellison

No primeiro trimestre, a fortuna do cofundador da empresa de tecnologia Oracle, Larry Ellison, também diminuiu: seu patrimônio líquido caiu US$ 30,3 bilhões e chegou a US$ 162 bilhões.

Em dezembro passado, as ações da Oracle (ORCL) registraram sua maior queda em um ano, depois que a gigante do software divulgou lucros trimestrais aquém do esperado. No acumulado do ano, as ações da Oracle caíram 12,25%.

A queda das ações da Oracle foi seguida por um lucro líquido de US$ 2,936 bilhões obtido no terceiro trimestre fiscal encerrado em fevereiro, um aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Jeff Bezos

Jeff Bezos, fundador da Amazon

Outro bilionário com perdas significativas em sua fortuna foi o fundador da Amazon (AMZN), Jeff Bezos, cujo patrimônio teve uma redução de US$ 27,1 bilhões,para US$ 212 bilhões no fim do primeiro trimestre. As ações da Amazon estão em queda de 11,51% neste ano.

A empresa encerrou o quarto trimestre de 2024 com receita líquida de US$ 187,8 bilhões, um crescimento anual de 10%, enquanto o lucro operacional aumentou 61% em relação ao ano anterior, para US$ 21,2 bilhões.

No entanto a previsão para o primeiro trimestre de 2025 – com receitas projetadas entre US$ 151 bilhões e US$ 155,5 bilhões e lucro operacional entre US$ 14 bilhões e US$ 18 bilhões – ficou abaixo das expectativas devido a impactos cambiais.

Também surgiu a informação de que a empresa espacial de Jeff Bezos, Blue Origin, cortará 10% de sua folha de pagamento, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto consultadas pela Bloomberg News em uma matéria publicada em fevereiro. O anúncio foi feito depois que a empresa estreou seu principal foguete, o New Glenn, após anos de atrasos e contratempos no desenvolvimento.

Larry Page e Sergey Brin

Larry Page y Sergey Brin, cofundadores de Google.

Larry Page, cofundador do Google, hoje parte da holding Alphabet (GOOGL), teve reduzida sua fortuna neste ano em US$ 27,2 bilhões, para US$ 141 bilhões, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index.

O bilionário e cofundador Sergey Brin, que ainda possui uma participação de 6% na Alphabet, viu seu patrimônio líquido cair em US$ 25,4 bilhões, para US$ 133 bilhões.

As vendas da Alphabet, excluindo os pagamentos a parceiros, foram de US$ 81,6 bilhões no quarto trimestre, enquanto os analistas projetaram US$ 82,8 bilhões, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Até agora, neste ano, as ações da empresa de tecnologia caíram 17,51%.

Michael Dell

Michael Dell, chairman and chief executive officer of Dell Technologies Inc., speaks during South By Southwest (SXSW) festival in Austin, Texas, U.S., on Monday, March 14, 2022. The annual March event features sessions, music and comedy showcases, film screenings, exhibitions, professional development, and a variety of networking opportunities. Photographer: Matthew Busch/Bloomberg

Outra fortuna a cair que caiu de forma significativa foi a do bilionário Michael Dell, executivo-chefe da empresa de tecnologia Dell (DELL), com um patrimônio líquido de US$ 99,1 bilhões após a subtração de US$ 24,5 bilhões no ano até o final de março.

No quarto trimestre fiscal, as vendas da Dell aumentaram 7,2%, para US$ 23,9 bilhões, embora os analistas, em média, tivessem estimado US$ 24,6 bilhões. A Dell e a HP (HPQ) saíram de vendas consideradas decepcionantes no terceiro trimestre fiscal, em face de um mercado de PCs mais lento.

Outros patrimônios em queda

  • Elon Musk foi o maior perdedor do ano até março, com uma queda de US$ 116 bilhões.
  • Warren Buffett foi o maior ganhador, com US$ 24,3 bilhões.
  • Larry Ellison (-US$ 30,3 bilhões), Larry Page (-US$ 27,2 bilhões) e Sergey Brin (-US$ 25,4 bilhões) também tiveram grandes perdas em termos absolutos.
  • Carlos Slim, Mukesh Ambani e Françoise Bettencourt Meyers também estão entre os poucos que aumentaram suas fortunas em 2024.

Leia mais: Por que este CIO com R$ 35 bilhões sob gestão está cauteloso com o crédito privado

Na América Latina, os 10 mais ricos têm resultados mistos

Na região, as fortunas de Eduardo Saverin (US$ 31,3 bilhões e perda de US$ 464 milhões), um dos cofundadores do Facebook (META), e David Vélez (US$ 10,1 bilhões e queda de US$ 137 milhões), cofundador do Nubank (NU), diminuíram de janeiro a março.

Em contrapartida, os 10 maiores ganhadores foram:

  • Marcel Telles: US$ 10,5 bilhões / + US$ 1,01 bilhão
  • Marcos Galperin: US$ 8,78 bilhões / + US$ 839 milhões
  • Carlos Slim: US$ 82 bilhões / + US$ 1,4 bilhão
  • Germán Larrea: US$ 34,2 bilhões / + US$ 1,45 bilhão
  • Alejandro Santo Domingo e família: US$ 15,2 bilhões / + US$ 1,49 bilhão
  • Iris Fontbona e família: US$ 30,3 bilhões / + US$ 1,74 bilhão
  • Jorge Paulo Lemann: US$ 23,5 bilhões / + US$ 2,38 bilhões
  • Jaime Gilinski: US$ 12,3 bilhões / + US$ 3,48 bilhões

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Daniel Salazar

Profissional de comunicação e jornalista com ênfase em economia e finanças. Participou do programa de jornalismo econômico da agência Efe, da Universidad Externado, do Banco Santander e da Universia. Ex-editor de negócios da Revista Dinero e da Mesa América da Efe.