Nissan planeja substituir CEO após negociações frustradas com a Honda, dizem fontes

Montadora planeja nomear o atual diretor financeiro, Jeremie Papin, como o substituto de Uchida, segundo informações de publicação japonesa

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Bloomberg — A Nissan planeja substituir seu diretor-presidente após outro conjunto sombrio de lucros e o colapso das negociações para a fusão com a Honda.

Os diretores da Nissan avaliam o interesse em possíveis candidatos para suceder Makoto Uchida, o veterano de 22 anos da empresa que é CEO desde o final de 2019, disse uma das pessoas que pediu para não ser identificada porque as deliberações são privadas. A Nissan não quis comentar.

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As ações da montadora subiram até 4,9% em Tóquio nas negociações da manhã. A empresa que está iniciando a saída de Uchida sugere que ainda tem a capacidade de agir para garantir um parceiro de sobrevivência, disse o analista da Bloomberg Intelligence, Tatsuo Yoshida.

A Nissan planeja nomear Jeremie Papin, que foi escolhido em dezembro para se tornar diretor financeiro, como o substituto de Uchida, informou a publicação de negócios japonesa Diamond na quinta-feira.

Uchida, 58 anos, disse a repórteres no início deste mês que, embora estivesse preparado para renunciar ao cargo se solicitado, não queria deixar o cargo antes de estabilizar os negócios da Nissan.

Ele preparou os investidores para um prejuízo líquido de ¥80 bilhões (US$ 536 milhões) para o ano fiscal que se encerra em março, um valor muito distante do lucro líquido de ¥380 bilhões que ele previa há apenas nove meses.

A Nissan tem enfrentado uma dívida recorde que vence no próximo ano, com as três principais agências de classificação de crédito tendo cortado suas classificações, após dois rebaixamentos na última semana. Uchida procurou a Honda em busca de ajuda no final do ano passado, chegando a um acordo provisório para se unir em uma holding conjunta.

As montadoras cancelaram as negociações neste mês, depois de entrarem em conflito quanto aos termos.

Os executivos da Honda e da Nissan disseram que ainda manteriam uma parceria estratégica com uma terceira empresa japonesa, a Mitsubishi Motors, para colaborar com baterias de veículos elétricos e desenvolvimento de software.

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Uchida foi claro durante uma coletiva de imprensa em 13 de fevereiro sobre a importância das parcerias para o futuro da Nissan.

"Ainda será difícil sobreviver sem contar com futuras parcerias", disse ele aos repórteres.

A Nissan tem enfrentado problemas para atrair os consumidores com sua linha de produtos ultrapassada e teve que gastar muito em incentivos e promoções para controlar o estoque. Em novembro, Uchida anunciou planos para cortar 9.000 empregos e um quinto da capacidade de produção da empresa.

Encontrar um caminho a seguir será complicado.

O maior acionista da Nissan e parceiro de longa data da aliança, a Renault, criticou a difícil negociação que a Honda fez sobre como a combinação seria estruturada e elogiou a Nissan por ter se afastado. Enquanto isso, a Renault procurou se distanciar da empresa, com o CEO Luca de Meo dizendo que a Zhejiang Geely Holding Group da China pode ser um parceiro mais natural do que a Nissan no futuro.

A Hon Hai Precision Industry, fabricante de iPhones mais conhecida como Foxconn, abordou a Nissan sobre a aquisição de uma participação na empresa em dezembro e disse este mês que estava aberta a comprar a participação acionária de 36% da Renault.

A fabricante contratada de Taiwan está tentando estabelecer uma base de apoio na fabricação de veículos elétricos e tem tido problemas para convencer as montadoras a terceirizar a produção.

Separadamente, a empresa de private equity norte-americana KKR estudou um possível investimento em ações ou dívidas para melhorar a posição financeira da Nissan, informou a Bloomberg News no início deste mês, ao citar pessoas familiarizadas com o assunto.

--Com a ajuda de Nicholas Takahashi e Alice French.

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