MRV amplia perdas, mas volta a gerar caixa e vê consolidação de melhora operacional

Incorporadora fechou 2024 com geração de caixa em todas as subsidiárias, mas com dobro de prejuízo no quarto trimestre; ‘recuperação está contratada’, diz o CFO Ricardo Paixão à Bloomberg Línea

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Bloomberg Línea — A MRV apresentou ao mercado na noite de segunda-feira (24) um balanço com prejuízo, pressionado pelos números de subsidiária americana Resia.

A holding MRV&Co, que congrega as operações da MRV, da Sensia, da Urba, da Luggo e da Resia, teve prejuízo líquido atribuído aos acionistas de R$ 503,2 milhões em 2024. No ano anterior, o prejuízo havia sido de R$ 29,8 milhões.

O prejuízo líquido ajustado, que desconsidera o impacto de swap e de marcação a mercado da dívida, foi de 128,3 milhões, menor que a baixa de R$ 330,2 milhões registrada no acumulado de 2023.

Apesar do resultado negativo na última linha do balanço, a MRV apresentou, pela primeira vez, geração de caixa positiva em todas as subsidiárias, que tiveram resultado combinado positivo de R$ 419,1 milhões. O montante reverteu o saldo negativo de R$ 236,9 milhões apurado no ano anterior.

Segundo o CFO, Ricardo Paixão, o ano de 2024 representou um passo importante no processo de recuperação da MRV Incorporação, frente que congrega o core business da empresa, com as marcas MRV e Sensia.

A divisão de incorporação, a maior do país na área residencial, obteve um lucro R$ 274,4 milhões em 2024, em reversão ao prejuízo de R$ 132,3 milhões no ano anterior. O resultado ficou dentro do guidance da empresa para 2024, que se estendia de R$ 250 milhões a R$ 290 milhões.

“O ano de 2024 foi a consolidação na nossa melhora operacional em MRV Incorporação, em que tivemos recorde em vendas líquidas (R$ 10 bilhões), receita operacional líquida (R$ 8,5 bilhões) e Ebitda (R$ 1,1 bilhão)”, destacou o CFO da MRV em entrevista à Bloomberg Línea.

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No quarto trimestre do último ano, o prejuízo foi de R$ 249,8 milhões, mais que o dobro dos R$ 104,9 milhões de baixa apurados em 2023. O resultado ajustado foi negativo em R$ 153,8 milhões.

O impacto na última linha do resultado veio da Resia, operação da MRV nos Estados Unidos que atua no mercado de aluguel e que apresentou prejuízo de R$ 237,2 milhões no quarto trimestre.

O resultado sofreu impacto de mudanças cambiais e de juros altos nos Estados Unidos nas vendas e nas receitas de aluguel da empresa.

A operação americana é a grande âncora dos resultados da MRV, que, no fim do ano passado, apresentou um novo plano estratégico para enfrentar o cenário desafiador nos EUA.

O plano de desalavancagem da Resia prevê a venda de US$ 800 milhões em ativos até 2026, entre propriedades prontas e terrenos. Já foram vendidos US$ 46,5 milhões, e a meta para este ano é “acelerar”, segundo o CFO Ricardo Paixão.

“A redução abrupta do volume de negócios [da Resia] está totalmente galgada em juros mais altos por mais tempo nos EUA. Já é nosso cenário base”, disse Paixão.

Recuperação operacional

A frente de negócios de incorporação entregou R$ 419 milhões em geração de caixa, R$ 19 milhões acima da faixa superior para o guidance. A meta já havia sido adiantada no mês anterior, na divulgação da prévia operacional da companhia que, apesar de bem recebida pelo mercado, trouxe ressalvas.

Analistas do BTG Pactual alertaram para a composição do fluxo de caixa, que foi de R$ 371 milhões no quarto trimestre e contou com mais da metade das entradas (R$ 273 milhões) via securitização.

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“O fluxo de caixa decepcionou, uma vez que a empresa cumpriu seu guidance para o ano de 2024, mas com vendas de recebíveis muito mais altas do que o inicialmente previsto (o que significa que a geração de caixa operacional foi mais fraca do que o esperado)”, escreveram os analistas.

Questionado sobre a sustentabilidade da geração de caixa, o CFO reforçou a mensagem de que a venda de recebíveis irá continuar a fazer parte da estratégia da MRV, especialmente no modelo de financiamento direto ao cliente, chamado de carteira flex.

Nesse modelo, a própria companhia assume o papel de credora. Como os prazos são longos, a MRV vende as carteiras para acelerar a entrada de caixa e diminuir a exposição ao risco.

“Independentemente da cessão ou não de carteira, a geração de caixa tem melhorado trimestre após trimestre”, disse o executivo.

A empresa segue otimista para o cenário em 2025 com a continuidade do bom momento do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).

A expectativa de incremento da receita para este ano vem ainda do lançamento de subsídios de programas de moradia em esferas estaduais para o segmento de baixa renda. A principal aposta é no Rio de Janeiro, que pode lançar seu programa ainda no primeiro trimestre, segundo a MRV.

“O MCMV está com condições muito boas. Esperamos uma geração de caixa mais forte neste ano.”

Em um pregão de queda para os papéis domésticos, as ações da MRV caíram 6,8% nesta segunda-feira antes do balanço. As ações acumulam queda de 29,9% em 12 meses.

“Nossa recuperação está contratada. O que falta para o mercado [entender esse movimento] é tempo. No médio prazo, o investidor que estiver olhando para MRV vai ficar muito satisfeito”, disse o CFO.

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