Bloomberg — O ex-diretor financeiro do Itaú, Alexsandro Broedel Lopes, acusado de fraude pelo banco, teve a venda de sua casa bloqueada pela Justiça de São Paulo, segundo documentos obtidos pela Bloomberg.
Broedel, que trabalha como vice-presidente sênior do Banco Santander em Madri, estava tentando vender a casa, disse o Itaú em uma ação judicial, acrescentando que o executivo pode precisar dela para pagar a indenização de R$ 3,35 bilhões que o banco com sede em São Paulo está pedindo.
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A juíza Larissa Gaspar Tunala concordou e bloqueou a venda em decisão emergencial. Segundo a lei brasileira, essas apreensões de bens geralmente só podem acontecer “quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito”, disse Tunala.
O Itaú disse que Broedel supostamente não informou ao banco que mantinha empresa com sócio e exercia atividades externas como consultor. Segundo as denúncias, Broedel contratou 40 consultorias para o Itaú entre 2019 e 2024, obtendo vantagem em decorrência de seu cargo no banco.
O Itaú não conseguiu localizar alguns desses relatórios, sugerindo que o serviço pode nunca ter sido prestado, disse o banco. O Itaú também alega que Broedel recebeu indireta e ilegalmente 40% dos pagamentos relacionados a essas atividades por meio de uma terceira empresa.
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Os promotores brasileiros instruíram a polícia a iniciar uma investigação criminal sobre Broedel, informou o Financial Times na quinta-feira (27).
Broedel, ex-professor da Universidade de São Paulo e ex-diretor da CVM, reguladora do mercado de valores mobiliários brasileiro, negou qualquer irregularidade e disse que contestará as acusações na Justiça.
“Senhor Broedel é um executivo sênior altamente conceituado que até julho foi diretor financeiro do Itaú”, disse um porta-voz do Santander na quinta-feira. “Estamos monitorando qualquer desenvolvimento.”
Broedel deverá assumir o cargo de diretor de contabilidade do Santander ainda neste ano, após receber autorização regulatória, informou o banco espanhol na quinta-feira. Em dezembro, o Santander disse que assumiria o novo cargo em março.
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