Inter expande operação para a Argentina com conta global por meio de parceria

‘Funcionou muito bem para os brasileiros e acreditamos que funcionará bem para os argentinos’, disse o CEO global, João Vitor Menin, em entrevista à Bloomberg News

Banco controlado pela família Menin conta com o SoftBank entre seus principais acionistas
Por Daniel Cancel
11 de Março, 2025 | 10:30 AM

Bloomberg — O Inter vai expandir a sua operação internacional para a Argentina, com a oferta de sua conta global por meio de uma parceria, o que marca sua primeira incursão na América Latina de língua espanhola.

O Inter acertou uma parceria com o Grupo Bind na Argentina e planeja começar a oferecer aos argentinos a possibilidade de investir no exterior, contar com cartões de crédito internacionais e receber salários pagos fora do país para os chamados nômades digitais.

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“Essa é uma solução para as finanças das pessoas fora do país, quando você precisa globalizar suas atividades bancárias”, disse o CEO global do Inter, João Vitor Menin, em entrevista à Bloomberg News.

“Funcionou muito bem para os brasileiros e acreditamos que funcionará bem para os argentinos. No futuro, será introduzido em outros mercados também.”

O Inter, que é controlado pela bilionária família Menin e conta com o SoftBank entre seus principais acionistas, já tem mais de 36 milhões de clientes, dos quais cerca de 4 milhões com o produto da conta global.

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Depois de começar no Brasil, a empresa se expandiu para os Estados Unidos com foco no mercado da Flórida, onde muitos brasileiros residem ou visitam durante as férias. A decisão de adicionar a Argentina ao portfólio também foi influenciada pelo fato de que muitos argentinos também moram e viajam para o estado americano, disse Menin.

Como parte de seus planos para continuar a expandir sua oferta geograficamente, o Inter contratou recentemente Marco Araujo como diretor jurídico global.

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Araujo, que trabalhou anteriormente em bancos como o Santander Brasil e o Nubank, em que ajudou a supervisionar seus respectivos IPOs, disse que está focado em ajudar a navegar na “dissonância regulatória” que existe no mundo de hoje.

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O Inter registrou R$ 973 milhões de lucro em 2024, com R$ 6,4 bilhões de receita líquida total. As ações da empresa com sede em Belo Horizonte saltaram 24% até agora neste ano, para US$ 5,24 por ação. Seu valor de mercado é de US$ 2,3 bilhões.

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Além do banco digital, o super app do Inter inclui verticais como marketplace, investimentos, seguros, crédito e um programa de fidelidade. Sua investida na Flórida foi acompanhada por gastos de marketing com outdoors e os direitos de nomear o estádio de futebol em Orlando, que abriga os times da MLS e da NWSL, as ligas masculina e feminina.

A Bind, que ajudou o Mercado Livre a desenvolver alguns de seus produtos, é uma entidade regulamentada na Argentina e ajudará na integração de clientes e em soluções tecnológicas.

Menin disse que a decisão de expandir a oferta para a Argentina não está necessariamente vinculada ao novo governo do presidente Javier Milei, que tenta eliminar os controles monetários e reduzir a inflação por meio de austeridade. Pelo menos no início, a operação será um ativo leve no local.

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Da mesma forma que o roaming de telefonia móvel funciona em qualquer lugar para onde uma pessoa viaje, deve ser mais fácil administrar suas finanças e comprar ações nos EUA ou solicitar uma hipoteca, de acordo com o CEO global do Inter. Os argentinos que visitarem o Brasil também poderão comprar mercadorias por meio do Pix.

“Não sei se é cíclico ou anticíclico, mas nosso produto funciona para qualquer momento econômico”, disse ele. “Trata-se de promover um produto que é desejado em um mundo globalizado.”

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