Fitch rebaixa rating da Stellantis e cita pressão de custos com tarifas de Trump

Agência de classificação de riscos disse que espera que as tarifas de importação prejudiquem a produção e as vendas da montadora global no mercado americano

Jeep
Por Ethan M Steinberg
04 de Abril, 2025 | 09:10 AM

Bloomberg — A Stellantis foi rebaixada a dois degraus da classificação de risco pela Fitch Ratings, tornando-se a primeira grande montadora a sofrer um golpe de classificação na esteira do anúncio das tarifas abrangentes do presidente Donald Trump.

A proprietária de marcas de automóveis, incluindo Chrysler, Fiat e Jeep, teve sua classificação de inadimplência de longo prazo rebaixada em um nível para BBB pela Fitch. A classificadora de títulos citou pressões de custo elevadas ligadas às tarifas recém impostas sobre o setor automotivo.

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“O efeito das tarifas é difícil de quantificar, já que as empresas que cumprem o USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá) devem encontrar isenções e repassar aumentos modestos de preços aos clientes”, disse a empresa de classificação em um comunicado.

"No entanto, a Stellantis esgotou seu espaço de classificação para absorver os choques de curto prazo relacionados e um possível declínio nos volumes de produção."

Na quinta-feira (3), a montadora disse que iria interromper a produção em algumas fábricas no Canadá e no México, quando as tarifas de 25% sobre carros importados entraram em vigor.

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Cerca de 900 trabalhadores, incluindo alguns de instalações nos EUA, serão temporariamente demitidos. As ações da montadora caíram mais de 8% na quinta-feira.

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A Fitch disse que espera que as tarifas de importação prejudiquem a produção e as vendas da Stellantis nos EUA, uma vez que o preço das matérias-primas aumenta juntamente com as pressões de custo dos fornecedores.

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A empresa fabrica cerca de 40% dos carros que vende nos EUA fora do país, disse a Fitch, o que a torna uma das montadoras mais vulneráveis a uma redução de lucros decorrente das novas políticas comerciais.

A empresa poderia transferir mais de sua produção para os EUA, utilizando instalações atualmente ociosas, mas isso exigiria mais gastos iniciais e poderia levar cerca de dois anos, disse a Fitch.

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A mudança de classificação segue uma mudança idêntica feita pela S&P Global no início de março. A Moody’s Ratings classifica a empresa como Baa1, o equivalente a um degrau acima da Fitch e da S&P.

A Fitch tinha cerca de 25 bilhões de euros, ou US$ 27,6 bilhões, de dívida de longo prazo em aberto no final de dezembro.

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