CEO da Petrobras diz que investimentos acima do esperado vão acelerar a produção

Em teleconferência com analistas, Magda Chambriard afirmou que antecipação dos investimentos ajudarão a adiantar a operação da plataforma do campo de Búzios

Por

Bloomberg Línea — Após registrar um prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre e elevar os desembolsos em 2024, a Petrobras diz que vai acelerar os níveis de produção da companhia.

A CEO da estatal, Magda Chambriard, disse que o investimento que estava previsto para 2025 no planejamento estratégico da companhia foi antecipado para 2024, principalmente para adiantar a operação da plataforma do campo de Búzios.

“Isso significa um aumento de valor presente líquido da plataforma da ordem de US$ 2,2 bilhões em um triênio. Nós não veremos no primeiro trimestre de 2025 o mesmo nível de capex do quarto trimestre, é importante que isso seja esclarecido”, disse a CEO em teleconferência com investidores nesta quinta-feira (27), após a divulgação dos resultados.

A executiva acrescentou que Búzios é o campo de águas profundas mais produtivo do mundo. “Antecipar investimentos em Búzios é tudo que qualquer investidor possa querer. Em última análise, estamos oferecendo óleo no bolso [do investidor] mais rapidamente”, destacou Chambriard.

Leia mais: Petrobras tem perda de R$ 17 bi no trimestre sob efeito de desvalorização cambial

A principal preocupação relatada por analistas que acompanham a empresa foi a elevação dos investimentos (capex) da estatal em 2024 em relação ao último guidance divulgado para o consolidado do ano.

A CEO reforçou que o prejuízo de R$ 17 bilhões do período não terá efeito no caixa. “O caixa [da companhia] vai muito bem, reduzimos nossas dívidas, pagamos dividendos. A Petrobras está forte e bastante saudável financeiramente”, disse a executiva.

Nesta quinta-feira, o Ibovespa recuava pressionado pela queda das ações da Petrobras (PETR3, PETR4). Por volta das 17h50, os papéis preferenciais da estatal recuavam 4,37%.

A diretora executiva de engenharia, tecnologia e inovação da estatal, Renata Baruzzi, observou que houve uma escalada de preços dos insumos não só no Brasil mas também no mundo, principalmente depois da guerra na Ucrânia. Adicionalmente, as plataformas que estão chegando às operações da companhia são mais complexas.

“Estamos fazendo um trabalho interno de verificar as otimizações que podemos fazer nos nossos projetos. Realizamos, em 2024, parte do que esperávamos fazer em 2025. Com isso, conseguimos minimizar o risco de atrasos, protegemos os prazos de entrega de plataformas para que tenhamos óleo dentro do planejado”, diz.

De acordo com o analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, os fatores que levaram ao prejuízo no quarto trimestre foram localizados. “A Petrobras viu a oportunidade de aceleração de investimentos no campo de Búzios e assim o fez. Ainda não dá para dizer se o capex vai ser mais alto daqui para frente, não vejo dessa forma.”

Ele acrescenta que a surpresa no montante de capex para o ano foi concentrada no segmento principal de atuação da companhia, de exploração e produção (E&P). “O investimento estava dentro do planejamento estratégico.”

Expectativas para 2025

Chambriard disse que a Petrobras planeja um aumento na produção de 100 mil barris por dia (bpd) em 2025. “Trabalhamos com uma energia não renovável, cuja tendência é de declínio, mesmo produzindo muito.”

Ela ressaltou que três novas unidades de produção vão entrar em operação ao longo do ano. “É um feito absolutamente desafiador, mas que a Petrobras está preparada para enfrentar e transformar em resultado.”

A executiva reiterou a importância do campo de Búzios, que em 2025 deve alcançar um milhão de bpd de produção, ultrapassando os volumes do campo de Tupi.

“Temos um gigante para desenvolver à frente. Em 2030, esperamos 2 milhões de bpd em Búzios, a Petrobras tem a sorte de ter a oportunidade de desenvolver um campo como esse e diversos outros do pré-sal”, afirmou.

Margem Equatorial

Chambriard explicou que, atualmente, a Petrobras tem um pedido no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de licença para perfuração do primeiro poço de petróleo no litoral do estado do Amapá, a mais de 500 quilômetros da Ilha de Marajó.

“O órgão ambiental considera a região extremamente sensível, mas estamos absolutamente prontos para enfrentar isso. O que temos em termos de precaução não há precedentes no mundo”, disse a executiva.

O jornal O Globo noticiou nesta quinta-feira que técnicos do Ibama recomendaram negar o plano apresentado pela Petrobras para eventual exploração na Margem Equatorial, segundo pessoas envolvidas nas discussões.

Chambriard disse, entretanto, que nada consta no sistema do Ibama e que a empresa não sabe se a informação é real.

Baruzzi acrescentou que a companhia está “muito confiante” na análise dos técnicos da Petrobras e também do Ibama. “É importante lembrar que, depois de um posicionamento técnico do órgão, ainda existe um parecer final do instituto.”

Venda direta de combustível

A CEO da Petrobras afirmou que a companhia não planeja montar uma nova distribuidora de combustíveis. Ela disse que, ao vender a BR Distribuidora, a estatal assumiu uma cláusula (“non-compete”) que impede a revenda no varejo até pelo menos 2029.

No entanto, ela ressaltou que o acordo permite a venda direta a grandes consumidores, no segmento conhecido como B2B.

É óbvio que isso demanda infraestrutura, alguma que nós temos, outras não, e que precisamos ver se vale a pena ter. Toda possibilidade de negócio é analisada, mas precisa passar pelos critérios de rentabilidade [da companhia].”

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a Petrobras venda combustível diretamente para o consumidor, alegando que o consumidor tem sido “assaltado” pelos intermediários.

O diretor executivo de logística, comercialização e mercados, Claudio Schlosser, observou que hoje a companhia já faz venda direta de produtos como enxofre, coque e asfalto por meio da controlada Petrobras Biocombustível (PBio).

No caso de combustíveis como o diesel, ele destaca que há oportunidades para entender melhor o mercado consumidor.

“Isso faz parte de soluções comerciais que vamos adotar, já temos venda direta em Guarulhos e Uberlândia. Mas há questões logísticas, como a necessidade de infraestrutura para avançar na venda direta”, afirmou o executivo.

Leia também:

Da produção à exploração: como a Azevedo & Travassos planeja crescer em óleo & gás

Como a eleição de Trump deve impactar a indústria do petróleo na América Latina

Como navegar pela volatilidade do mercado acionário na América Latina