Carrefour aumenta a oferta para comprar ações e fechar o capital do Atacadão

Grupo varejista francês agora propõe pagar R$ 8,50 por ação da subsidiária brasileira, um aumento de 10% sobre a oferta original

Acionistas minoritários estavam se mobilizando contra o acordo original do Carrefour para fechar o capital do Atacadão. (Photo: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Leda Alvim - Rachel Gamarski
04 de Abril, 2025 | 11:42 AM

Bloomberg — O Carrefour elevou a oferta para fechar o capital da sua unidade brasileira dias antes de uma votação importante, já que os acionistas minoritários se mobilizaram contra a oferta inicial.

O grupo varejista francês agora pagará aos acionistas R$ 8,50 por cada ação da subsidiária brasileira Atacadão (CRFB3), informou a empresa em um documento.

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Trata-se de um aumento de 10% em relação à oferta original de R$ 7,70. A nova oferta representa um prêmio de 14% sobre o preço de fechamento de quinta-feira, de R$ 7,43.

“A nova relação de troca descrita acima dá a todos os acionistas da empresa a oportunidade de garantir liquidez em termos justos”, disse a empresa no documento.

Nesta sexta, os papéis operavam em alta de 10,36% por volta das 11h30 em Brasília, cotados a R$ 8,20.

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Leia também: Carrefour confirma oferta para comprar ações e fechar o capital do Atacadão

A empresa também remarcou uma votação de acionistas para 25 de abril, em vez de 7 de abril.

Os acionistas minoritários estavam se mobilizando contra o acordo original do Carrefour para fechar o capital do Atacadão, enquanto defendiam um preço melhor.

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Na quarta-feira, o jornal Valor Econômico informou que as consultoras Glass Lewis e ISS estavam aconselhando os acionistas a votarem contra a proposta de fechamento de capital.

As empresas argumentaram que o valuation proposto subvalorizava a empresa, uma vez que a oferta foi feita perto das mínimas históricas das ações.

Os analistas do Santander concordaram com essas opiniões, escrevendo em uma nota aos clientes na quinta-feira que os acionistas minoritários deveriam votar contra a oferta inicial como uma “alternativa melhor” para garantir um prêmio mais alto.

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Para bloquear ou aprovar o acordo, os acionistas precisam de pelo menos metade do free float da empresa - que atualmente está em torno de 583 milhões de ações, cerca de 27,6%, após uma grande reorganização de um de seus maiores acionistas.

Na segunda-feira, a Península Participações - o family office da família Diniz e o segundo maior acionista do Atacadão - anunciou que estava dividindo os fundos que detinham sua participação na empresa.

Isso deixou 4,9% ainda sob o controle da Península, enquanto os 2,4% restantes seriam administrados por um fundo separado, permitindo que fossem contados como free float e votassem na proposta.

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