Bloomberg Línea — A Petrobras deve apresentar queda dos principais indicadores no quarto trimestre de 2024 e no consolidado do ano, diante da retração dos preços do petróleo e dos volumes produzidos pela estatal, segundo bancos de investimento consultados pela Bloomberg Línea e o consenso de analistas consultados pela Bloomberg.
A divulgação do balanço financeiro da companhia está prevista para esta quarta-feira (25), após o fechamento do mercado, com teleconferência para investidores e analistas programada para o dia seguinte, às 12 horas (horário de Brasília).
Segundo o Citi (C), a Petrobras deve apresentar números mais baixos tanto na base trimestral quanto anual, principalmente devido à menor produção de petróleo e aos preços reduzidos do Brent.
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Para o quarto trimestre, o banco projeta receita líquida de US$ 21,2 bilhões, queda de 22% na comparação anual. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado deve alcançar US$ 10,5 bilhões no período, retração de 30% sobre um ano antes.
O lucro líquido recorrente, por sua vez, deve atingir US$ 1,1 bilhão, queda expressiva de 86% na comparação anual, impactado negativamente pela piora dos resultados financeiros, em meio a variações cambiais e monetárias no período.
Já o Goldman Sachs (GS) prevê receita líquida de aproximadamente US$ 22 bilhões para a estatal no quarto trimestre, Ebitda de US$ 10,4 bilhões e lucro líquido de cerca de US$ 4,9 bilhões.
O Bank of America (BAC) espera que a Petrobras registre “resultados estáveis”, com Ebitda ajustado de US$ 10,5 bilhões. “A queda sequencial deve ser motivada por menores preços do petróleo, bem como menor produção”, disseram analistas em relatório.
Segundo o consenso de analistas consultados pela Bloomberg, o lucro líquido (ajustado) da companhia no quarto trimestre deve ficar em US$ 2,9 bilhões; o Ebitda ajustado em US$ 10,8 bilhões e, a receita líquida, US$ 22 bilhões.
Consolidado do ano
O Citi prevê lucro líquido de US$ 11,3 bilhões para a Petrobras (PETR3, PETR4) em 2024, enquanto o Goldman projeta resultado de aproximadamente US$ 14 bilhões. Segundo o consenso da Bloomberg, a empresa deve anotar um lucro líquido (ajustado) de US$ 14,6 bilhões no ano, ante US$ 24,8 bilhões em 2023.
Já o Ebitda ajustado, conforme o Citi, deve alcançar US$ 43,6 bilhões em 2024, ante US$ 52,4 bilhões no ano anterior. O Goldman prevê cerca de US$ 43 bilhões para o indicador, enquanto o consenso da Bloomberg mostra US$ 44,8 bilhões.
O Citi prevê US$ 91,7 bilhões para a receita líquida da Petrobras em 2024, enquanto o Goldman projeta aproximadamente US$ 90 bilhões. No consenso da Bloomberg, a receita de vendas prevista é de US$ 90,1 bilhões. O indicador da estatal marcou US$ 102,4 bilhões em 2023.
Pagamento de dividendos
O Citi espera que a Petrobras deve anunciar US$ 2,6 bilhões em dividendos ordinários, diante de uma previsão de US$ 9,3 bilhões de geração de caixa, com impactos negativos dos desembolsos relevantes de investimentos (capex).
“Acreditamos que qualquer discussão sobre a tese de investimento da Petrobras no curto prazo gira em torno do ritmo de desembolsos de capex, provável pagamento de dividendos extraordinários, potenciais fusões e aquisições e governança”, disseram analistas do banco de investimento em relatório.
A XP estimou, em relatório, dividendos ordinários de cerca de US$ 3 bilhões para o período com base na política da estatal. O BofA também projeta proventos ordinários de US$ 3,04 bilhões.
O Goldman Sachs, por sua vez, estima uma posição de caixa para a Petrobras no consolidado de 2024 entre US$ 12 bilhões e US$ 13 bilhões, montante significativamente acima da projeção mínima de US$ 6 bilhões definida no último plano de negócios da companhia.
Isso poderia favorecer uma eventual distribuição de dividendos extraordinários no curto prazo, potencialmente no exercício do quarto trimestre, aponta o banco de investimento.
Por outro lado, o relatório destaca que a Petrobras anunciou cerca de US$ 3 bilhões em dividendos extraordinários em novembro do ano passado, o que pode implicar em espaço limitado para outra distribuição significativa apenas alguns meses após um pagamento extra ter sido anunciado.
Neste cenário, o Goldman estima que a estatal pode anunciar pagamento de dividendos ordinários de US$ 2,4 bilhões.
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