Risco de deflação na China e espera por juro maior nos EUA conduzem mercados

Investidores ponderam riscos de desaceleração chinesa e recessão norte-americana enquanto esperam pelo IPC dos EUA e temporada de balanços

Estes são os eventos que orientam os investidores hoje
Por Bianca Ribeiro - Michelly Teixeira
10 de Julho, 2023 | 06:35 AM

Barcelona, Espanha — A cautela nos mercados se estende desde que os dados norte-americanos mostraram que os salários ainda estão em patamar de ameaça inflacionária. Além da possibilidade de juros maiores e recessão nos Estados Unidos, os investidores contemplam hoje a hipótese de deflação na China.

Os futuros de índices dos EUA recuavam, na contramão das bolsas europeias. No mercado asiático, o fechamento foi misto, com perdas na bolsa japonesa Nikkei.

PUBLICIDADE

No mercado de dívida, o prêmio do título norte-americano para 10 anos avançava para 4,072% às 6h06 (horário de Brasília). Entre as divisas, o dólar se apreciava, enquanto a libra e o euro se depreciavam.

Na Europa, as ações da Bayer AG subiam 2,50% após um relatório de que a empresa farmacêutica planeja separar seu negócio de produtos químicos agrícolas. Já as mineradoras estavam entre as principais quedas na região, com o Grupo Rio Tinto caindo ao redor de 1,5% após a empresa alertar sobre ventos contrários da China para matérias-primas, incluindo minério de ferro.

Os operadores esperam pelos dado de inflação nos EUA na quarta-feira (12) em busca de sinais sobre trajetória do Fed ante os riscos para a economia dos EUA.

PUBLICIDADE

A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, disse no fim de semana que não descartaria a ameaça de uma recessão nos EUA e que considera “apropriado e normal” que o crescimento fosse moderado.

Em outros mercados, os contratos de petróleo WTI recuavam, assim como o ouro e o bitcoin.

→ O que move os mercados hoje

📉 Deflação na China? A queda dos preços na China aumenta a preocupação com o enfraquecimento da economia e as chances de uma deflação no país. A inflação ao consumidor se manteve estável em junho, no patamar mais baixo desde fevereiro de 2021, e seu núcleo (que exclui preços de energia e alimentos) desacelerou de +0,6% para +0,4%, enquanto os preços no atacado caíram -5,4%.

PUBLICIDADE

💵 Fôlego bancário. Carl Icahn conseguiu negociar neste domingo um acordo bancário que desvincula seus empréstimos pessoais do preço de negociação das ações de sua empresa, a Icahn Enterprises LP, com mais garantias e um plano para pagar os empréstimos em três anos, segundo o Wall Street Journal. O bilionário lida com as perdas de 43% das ações do grupo desde a Hindenburg Research acusou a empresa, em um relatório há mais de dois meses, de operar um esquema financeiro “tipo Ponzi”.

🤖 Impulso da IA. A TSMC, gigante taiwanesa de semicondutores, registrou receita com vendas de US$15,3 bilhões no segundo trimestre, acima das previsões de mercado. As ações da empresa, que é também a principal fabricante contratada dos chips aceleradores de Inteligência Artificial da Nvidia (NVDA), acumulam alta de +25% neste ano e têm 37 recomendações de compra, uma de espera e nenhuma de venda, segundo dados compilados pela Bloomberg.

💧 Água em resgate. Os investidores da Thames Water, maior concessionária de água do Reino Unido, investirão até 2030 US$960,4 milhões em capital próprio. O objetivo é evitar uma aquisição temporária pelo governo e ajudar no plano de recuperação, que lida com um perfil de endividamento pelo aumento dos juros.

PUBLICIDADE

📊 Espera por balanços. Analistas de mercado estão mais pessimistas com o rumo das ações negociadas no S&P 500, tendo em vista a perspectiva de juros maiores e as antecipações de lucros menores, como as feitas pela FedEx (FDX) e Exxon Mobil (XOM). Segundo 55% dos entrevistados do MLIV Pulse, a próxima temporada de balanços, que começa no dia 14, deve afetar negativamente as ações.

🔍 Olho nas previsões. Michael Wilson, estrategista do Morgan Stanley (MS)que é conhecido por sua visão pessimista, avalia que as previsões das empresas nessa temporada de balanços serão mais importantes do que o normal sobre o mercado acionário, e que o efeito de informes com ganhos melhores do que o esperado ficará em segundo plano.

🔚 Fluxo de saída. Mais de US$28 bilhões em dinheiro, que ficaram estagnados em cerca de 38 fundos relacionados a ações na China nos últimos três anos, estão prestes a ser liberados, segundo a Morningstar. Um dos maiores fundos de hedge do país, o Shanghai Banxia Investment Management Center, alertou em junho que as saídas líquidas desses fundos serão “inevitáveis”, aumentando os riscos negativos para o mercado.

(Com informações da Bloomberg News)

Os mercados esta manhã

🟢 As bolsas na sexta-feira (07/07): Dow Jones Industrials (-0,55%), S&P 500 (-0,29%), Nasdaq Composite (-0,13%), Stoxx 600 (+0,09%), Ibovespa (+1,25%)

Os dados do payroll de junho mostraram um quadro misto que referendou apostas na retomada da alta de juro pelo Fed, com ganhos salariais acima das estimativas do mercado. No Brasil, o Ibovespa subiu sob efeitos da aprovação da proposta da reforma tributária na Câmara.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Índice de Tendência de Emprego/Jun, Estoques e Vendas no Atacado/Mai, Expectativas de Inflação ao Consumidor, Crédito ao Consumidor/Mai

Europa: Zona do Euro (Confiança do Investidor Sentix/Jul); Reino Unido (Vendas no Varejo do BRC/Jun); Espanha (Confiança do Consumidor); Portugal (Balança Comercial/Mai)• Ásia: Japão (Massa Monetária/Jun)

América Latina: Brasil (Boletim Focus)

Bancos centrais: Discursos de Raphael Bostic, Mary Daly, Loretta Mester (Fed), Andrew Bailey (BoE)

🗓️ Os eventos de destaque na semana →

Leia também:

Ofertas de BRF e MRV podem reforçar retomada do mercado; veja agenda da semana

Como o TikTok fez do live shopping um negócio de US$ 20 bi e agora mira a Amazon

Bianca Ribeiro

Bianca Ribeiro

Jornalista especializada em economia e finanças, com passagem por redações e veículos focados em economia, como Valor Econômico, Agência Estado e Folha de S.Paulo.

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 13 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e fez um mestrado em Digital Business na ESADE.