Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) opera em forte queda nesta sexta-feira (4). O principal índice da B3 recua 2,91% por volta das 11h20, aos 127.323 pontos.
Ainda estão no radar as novas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump a todos os países que têm relação comercial com os Estados Unidos e suas repercussões. Em retaliação, a China anunciou tarifas de 34% sobre todas as importações americanas a partir de 10 de abril.
Na véspera, o Ibovespa operou perto da estabilidade.
Trump tem adotado tarifas como ferramenta para revitalizar a indústria americana e obter concessões geopolíticas, mas economistas esperam que as medidas aumentem os preços e desacelerem a economia, podendo até causar uma recessão.
O anúncio derrubou as bolsas americanas em até 6% no último pregão e, nesta sexta-feira, os índices caminham para nova baixa. O S&P500 recua 3,58%, enquanto o índice de tecnologia Nasdaq tem queda de 3,75%. Já o Dow Jones opera em baixa de 3,10%.
Embora as bolsas continuem em trajetória de queda, houve alívio no câmbio com a divulgação de novos dados nos EUA.
O crescimento de vagas não-agrícolas (payroll) superou as previsões em março: foram criadas 228 mil vagas contra uma expectativa de 138 mil.
O dado aponta para um mercado de trabalho saudável, o que pode ter implicações para os mercados de títulos, ações e moedas, bem como para os próximos movimentos do Fed (Federal Reserve, o banco central americano).
O dólar opera em forte alta contra o real nesta sexta-feira, subindo 2,80% e sendo negociado a R$ 5,78. Já o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, avança 0,50%
Ainda assim, investidores operam em compasso de espera.
“Um bom relatório de empregos não será suficiente para acalmar os temores de recessão porque é retrospectivo e não dará uma visão completa de quão duramente a economia será atingida pela guerra comercial”, disse Scott Ladner, diretor de investimentos da Horizon Investments.
- Com informações da Bloomberg News.
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