Ibovespa cai mais de 3% e dólar avança a R$ 5,78 com guerra comercial e dados dos EUA

Tarifas de Trump continuam tendo reflexo sobre as bolsas globais - incluindo a brasileira. Índices futuros americanos recuam até 3,7%

Embora as bolsas continuem em trajetória de queda, houve alívio no câmbio com a divulgação de novos dados nos EUA
04 de Abril, 2025 | 11:35 AM

Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) opera em forte queda nesta sexta-feira (4). O principal índice da B3 recua 2,91% por volta das 11h20, aos 127.323 pontos.

Ainda estão no radar as novas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump a todos os países que têm relação comercial com os Estados Unidos e suas repercussões. Em retaliação, a China anunciou tarifas de 34% sobre todas as importações americanas a partir de 10 de abril.

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Na véspera, o Ibovespa operou perto da estabilidade.

Trump tem adotado tarifas como ferramenta para revitalizar a indústria americana e obter concessões geopolíticas, mas economistas esperam que as medidas aumentem os preços e desacelerem a economia, podendo até causar uma recessão.

O anúncio derrubou as bolsas americanas em até 6% no último pregão e, nesta sexta-feira, os índices caminham para nova baixa. O S&P500 recua 3,58%, enquanto o índice de tecnologia Nasdaq tem queda de 3,75%. Já o Dow Jones opera em baixa de 3,10%.

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Embora as bolsas continuem em trajetória de queda, houve alívio no câmbio com a divulgação de novos dados nos EUA.

O crescimento de vagas não-agrícolas (payroll) superou as previsões em março: foram criadas 228 mil vagas contra uma expectativa de 138 mil.

O dado aponta para um mercado de trabalho saudável, o que pode ter implicações para os mercados de títulos, ações e moedas, bem como para os próximos movimentos do Fed (Federal Reserve, o banco central americano).

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O dólar opera em forte alta contra o real nesta sexta-feira, subindo 2,80% e sendo negociado a R$ 5,78. Já o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, avança 0,50%

Ainda assim, investidores operam em compasso de espera.

“Um bom relatório de empregos não será suficiente para acalmar os temores de recessão porque é retrospectivo e não dará uma visão completa de quão duramente a economia será atingida pela guerra comercial”, disse Scott Ladner, diretor de investimentos da Horizon Investments.

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- Com informações da Bloomberg News.

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Beatriz Quesada

Jornalista especializada na cobertura econômica. Formada pela USP, escreve sobre mercados, negócios e setor imobiliário. Tem passagens por Exame, Capital Aberto e BandNews FM.