Futuros em NY caem até 4% com tarifas de Trump; petróleo recua e Nike e Apple sofrem

Investidores ajustam posições diante de plano tarifário mais agressivo do que o esperado; empresas que dependem de fornecedores asiáticos estão entre as mais afetadas

Traders na American Stock Exchange da NYSE em Nova York no momento de anúncio das tarifas de Trump (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
Por Bloomberg News
02 de Abril, 2025 | 08:10 PM

Bloomberg — Uma ofensiva tarifária apresentada por Donald Trump como essencial para a prosperidade de longo prazo dos Estados Unidos teve uma péssima recepção nos mercados neste começo de noite de quarta-feira (2): o plano provocou uma queda generalizada nos principais índices de ações, que vinham de três dias de alta impulsionados pela esperança de que o programa fosse menos drástico.

Um fundo de índice (ETF) de US$ 577 bilhões em patrimônio que acompanha o S&P 500 (SPY) caiu cerca de 3% após o encerramento do pregão regular — apagando os ganhos iniciais.

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Os títulos do Tesouro subiram. Os futuros do Nasdaq 100 recuavam 4,3% perto das 20h de Brasília, e os do S&P 500, na casa de 3,5%.

Os preços do petróleo em contratos futuros do WTI recuavam perto de 3%, levando as cotações para menos de US$ 70 o barril, diante do entendimento de que a demanda pela commodity arrefecerá com os efeitos das tarifas e uma provável guerra comercial; o ouro tinha leve valorização.

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Trump anunciou que aplicará uma tarifa mínima de 10% sobre todos os exportadores para os EUA e imporá tarifas adicionais a cerca de 60 países com os maiores desequilíbrios comerciais com os EUA.

Isso inclui aumentos substanciais para alguns dos principais parceiros comerciais do país, como a China, com uma tarifa de 34%, a União Europeia, com 20%, e o Vietnã.

No caso da segunda maior economia do mundo, as alíquotas totais chegarão a 54%.

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A queda no fim do dia prenuncia a interrupção de uma sequência de três dias de alta no S&P 500, já que as esperanças de um programa tarifário mais brando foram frustradas.

Investidores de diferentes classes de ativos agora precisam se preparar para um período difícil de negociações comerciais, em um cenário econômico que já mostra sinais de enfraquecimento, à medida que empresas e consumidores se ajustam à ofensiva de Trump.

“Tarifas elevadíssimas aplicadas país a país gritam ‘tática de negociação’, o que manterá os mercados em alerta por tempo indeterminado”, disse Adam Hetts, da Janus Henderson Investors.

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A Casa Branca informou que as importações de aço e alumínio não estarão sujeitas às tarifas recíprocas, o que trará algum alívio aos compradores domésticos, que já enfrentam tarifas de 25% sobre todas as importações desses metais essenciais usados em produtos que vão de automóveis a máquinas de lavar.

As ações de empresas ligadas a setores que devem ser mais afetados pela nova rodada de tarifas caíram fortemente no fim do pregão à vista em em Nova York e no after market.

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As ações da Nike, Gap e Lululemon recuaram pelo menos 7% nas negociações do after market. Essas empresas dependem fortemente de produtos e fábricas no Vietnã.

A Apple, cuja cadeia de suprimentos depende bastante da China, caiu até 6,9%. Fabricantes de chips como Nvidia e Advanced Micro Devices também recuaram, assim como multinacionais como Caterpillar e Boeing.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, alertou os parceiros comerciais dos EUA a não adotarem medidas retaliatórias contra o novo conjunto de tarifas de Trump.

“Eu não tentaria retaliar”, disse Bessent em entrevista à Bloomberg Television nesta quarta-feira após o anúncio. “Desde que vocês não reajam, esse é o limite superior das tarifas.”

O S&P 500 subiu 0,67% na sessão à vista na quarta-feira, antes do anúncio das tarifas. O Nasdaq Composite teve alta de 0,87%, e o Dow Jones Industrial Average avançou 0,56%.

O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos recuou quatro pontos-base, para 4,13%. O peso mexicano e o dólar canadense se valorizaram com a notícia de que, por ora, os dois países não estão sujeitos às tarifas recíprocas.

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