Investidores reagem nesta quinta-feira (3) ao anúncio das tarifas recíprocas do presidente Donald Trump, que desencadeou aversão ao risco nos principais mercados nesta manhã.
Uma das maiores tarifas será aplicada sobre produtos da China, com uma alíquota de 34%; países da União Europeia, outro importante parceiro comercial, serão taxados em 20%.
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A menor alíquota imposta será da ordem de 10%, aplicada a casos como o do Brasil.
Ao todo, cinquenta países ou blocos - caso da União Europeia - serão impactados.
“Sem rodeios: a situação não está nada boa, nada boa mesmo”, disse Nicolas Forest, diretor de investimentos da Candriam, que afirmou que sua empresa considera aumentar suas apostas contra ações dos EUA e adotar uma postura mais prudente em relação às ações europeias que vinham superando o mercado.
Confira a seguir cinco destaques desta quinta-feira (3 de abril):
1. Tarifas de Trump ampliam riscos à economia global
Por um breve momento, parecia que os piores temores de Wall Street em relação aos planos tarifários de Donald Trump estavam equivocados - e uma manifestação de alívio começou a se espalhar.
Mas quando ele estava no jardim da Casa Branca na tarde de quarta-feira e apontou para um cartaz com as taxas que ele vai aplicar sobre as importações dos parceiros comerciais dos EUA, a realidade se impôs: ele vai intensificar significativamente sua guerra comercial, como havia dito que faria.
Os futuros de ações em Nova York despencaram, o dólar caiu, os títulos do Tesouro saltaram e o ouro atingiu um novo recorde, à medida que os investidores se voltaram para refúgios de risco.
“É definitivamente mais agressivo do que as pessoas esperavam”, disse Brad Bechtel, chefe de câmbio da Jefferies Financial Group, em Nova York. “É um ciclo de destruição maior para o resto do mundo.”
A iniciativa de Trump de reverter o comércio global em tentativa de reforçar a produção doméstica com efeitos esperados de longo prazo abalou os mercados ao ameaçar derrubar a economia mundial, reacender a inflação e paralisar o crescimento nos EUA, com impacto sobre as empresas.
2. Stellantis negocia compra de fábricas
A fabricante italiana de peças automotivas CLN-Coils Lamiere Nastri está em negociações para vender ativos para a Stellantis, seu principal cliente, em meio a discussões com credores para reduzir sua dívida.
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O fornecedor está em negociações com a montadora para vender fábricas no Brasil e na Polônia e também avalia a alienação de outros ativos, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não serem identificadas porque não estão autorizadas a falar publicamente.
3. Mercados
As ações europeias operavam em forte queda nesta quinta-feira (3) depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas mais altas contra seus parceiros comerciais, incluindo uma taxa de 20% para a União Europeia.
O índice Stoxx Europe 600 caiu 1,4% às 10h54 em Paris, com todas as bolsas regionais operando fortemente no vermelho.
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O índice SMI da Suíça teve um desempenho inferior, caindo 1,8%, após os EUA imporem uma taxa de 31% sobre o país. Enquanto isso, o índice OMXC25 da Dinamarca caiu até 3,4% e estava prestes a entrar em um mercado baixista.
4. Manchetes dos sites dos principais jornais
Estado de S. Paulo: TWilliam Waack: ‘Tarifaço de Trump encerra o século americano e inicia o século chinês. Como fica o Brasil?’
Folha de São Paulo: Bolsas asiáticas caem diante de tarifas dos EUA; yuan atinge valor mais baixo em sete semanas
Valor Econômico: ‘Tarifaço’ de Trump desencadeia onda global de aversão a risco
O Globo: Lula mantém vantagem para 2026, mas vê nomes da direita encurtarem distância, mostra pesquisa
5. Agenda
Brasil
- 08:00: Indicador Antecedente de Emprego (FGV)
Zona do Euro
- 05:00: PMI Serviços
EUA
- 09:30: Pedidos de auxílio desemprego (mil)
- 13:30: Discurso de P. Jefferson (Conselho do Fed)
- 15:30: Discurso de L. Cook (Conselho do Fed)
-- Com informações da Bloomberg News.