Bloomberg — As ações globais operam em queda nesta quarta-feira (2) antes do anúncio das tarifas do presidente Donald Trump.
O índice Stoxx 600 da Europa caiu 0,7%, com as ações do setor de saúde entre as maiores perdedoras, à medida que demissões em massa no Departamento de Saúde dos EUA semearam incertezas sobre as perspectivas para vacinas e terapias genéticas.
Entre ações individuais, a Mercedes-Benz Group AG caiu após a Bloomberg informar que a montadora avalia retirar seus carros mais baratos dos EUA se as tarifas tornassem suas vendas inviáveis.
Os futuros do S&P 500 recuaram 0,3%. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA permaneceram estáveis após a queda de terça-feira para o nível mais baixo desde o início de março, enquanto o ouro subiu, negociando-se próximo ao seu recorde recente.
Trump deve revelar seus planos tarifários no Jardim das Rosas da Casa Branca justamente quando os mercados dos EUA fecharem, às 16h.
Várias propostas estão sendo consideradas, incluindo um sistema de tarifas escalonadas com taxas fixas para países, bem como um plano mais personalizado e recíproco. A Casa Branca afirmou que as tarifas teriam efeito imediato, mas que Trump estaria aberto a negociações posteriores.
A incerteza sobre as tarifas tem alimentado oscilações voláteis em Wall Street esta semana, pois os traders temem que negociações longas e potencialmente conflituosas com parceiros comerciais pesem sobre o crescimento econômico e pressionem os lucros das empresas.
“Não há lugar onde se possa simplesmente se esconder, devido à enorme incerteza que existe no mercado neste momento”, disse Helen Jewell, diretora de investimentos de ações fundamentais para a EMEA na BlackRock.
Jewell não espera que a confusão diminua após o anúncio de Trump. “Na verdade, é exatamente o oposto”, disse ela. “Isso apenas mantém o risco no mercado e adia a resolução do problema.”
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O impacto das tarifas dos EUA também foi um tema quente entre os banqueiros centrais. As tarifas podem aumentar tanto a inflação quanto o desemprego, disse Tom Barkin, presidente do Federal Reserve Bank de Richmond. Seu colega do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que, em teoria, tarifas pontuais deveriam ter um impacto transitório sobre os preços. No entanto, ele alertou que, se consumidores e empresas pararem de gastar e investir, “isso seria um grande problema”.
O lançamento das tarifas de Trump inaugura uma nova era de risco para a economia global.
O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou que as tarifas dos EUA poderiam ter um impacto significativo na atividade comercial dos países afetados.
Seus primeiros comentários públicos desde que Trump anunciou oficialmente uma tarifa de 25% sobre automóveis na semana passada sugerem que ele continua monitorando os desdobramentos, ao mesmo tempo que evita dar pistas sobre o caminho dos aumentos de juros do BOJ.
Veja a seguir outros destaques desta manhã de quarta-feira (2 de abril):
- UBS em reestruturação. O banco suíço informou aos sindicatos italianos sobre planos de cortar 180 empregos como parte de um processo de reestruturação após a aquisição do Credit Suisse. Dos cortes, 162 ocorrerão na unidade italiana, enquanto o restante será feito na divisão de gestão de fortunas.
- Mercedes-Benz de olho em tarifas. A montadora considera retirar seus carros mais baratos dos Estados Unidos porque as tarifas do presidente Trump poderiam tornar suas vendas economicamente inviáveis, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto falaram à Bloomberg News.
- Xiaomi em queda. As ações da Xiaomi caíram 4,2% com preocupações dos investidores após a polícia chinesa iniciar uma investigação sobre um acidente fatal que envolveu um de seus veículos elétricos. Em queda pelo quinto pregão consecutivo, os papéis estão mais de 20% abaixo do recorde.

🔘 As bolsas ontem (01/04): Dow Jones Industrials (+1,00%), S&P 500 (+0,55%), Nasdaq Composite (-0,14%), Stoxx 600 (-1,51%), Ibovespa (-1,25%)
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-- Com informações da Bloomberg News.
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