Ações globais estendem perdas com tarifas de Trump; bitcoin supera os US$ 84 mil

“O mercado está dando um grande sinal negativo para essa política tarifária”, disse Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, à Bloomberg TV

NO RADAR DOS MERCADOS
04 de Abril, 2025 | 06:52 AM

Bloomberg — As ações globais voltaram a operar em queda nesta sexta-feira (4). Os títulos do Tesouro se valorizaram e o dólar mostra sinais de estabilização.

O índice de referência global MSCI está no caminho para a maior perda semanal em sete meses.

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Em meio a uma intensificação da guerra comercial global, além do relatório mensal de empregos e um discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, previsto para mais tarde nesta sexta (4), os investidores parecem que não estão dispostos a correr riscos.

Os futuros do S&P 500 caíram 0,4% nas negociações iniciais, e o índice europeu Stoxx 600 recuou 1,2%. O rendimento do título do Tesouro dos EUA de 10 anos caiu para abaixo de 4%.

O UBS Global Wealth Management rebaixou sua perspectiva para o S&P 500 e alertou para mais volatilidade no mercado devido ao impacto das tarifas recíprocas.

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A corrida por ativos seguros impulsionou um rali global de títulos esta semana, com os rendimentos dos títulos do Tesouro caindo quase 30 pontos-base. O índice MSCI World já acumula perda de cerca de 3,5% na semana.

“O mercado está dando um grande sinal negativo para essa política tarifária”, disse Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, à Bloomberg TV. “Espero que a mensagem que o mercado de ações está enviando à administração esteja sendo ouvida.”

Trump tem adotado tarifas como ferramenta para revitalizar a manufatura dos EUA e obter concessões geopolíticas, mas economistas esperam que as medidas aumentem os preços e desacelerem a economia, podendo até causar uma recessão.

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Embora o presidente tenha indicado estar aberto a reduzir tarifas se outras nações oferecerem algo “fenomenal”, parceiros comerciais como China e União Europeia prometeram retaliar.

O francês Emmanuel Macron pediu a suspensão de investimentos da UE nos EUA e sugeriu direcionar medidas contra empresas de tecnologia americanas usando o poderoso instrumento anticoerção do bloco — um movimento que marcaria uma escalada significativa no confronto.

“Se essas tarifas forem mantidas, a economia vai desacelerar”, disse Mary Ann Bartels, da Sanctuary Wealth. “Não há onde se esconder, exceto nos mercados de renda fixa.”

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Enquanto isso, os preços das commodities também foram atingidos pelas preocupações com o crescimento. O petróleo estendeu a queda de 6% do dia anterior, já que a OPEP+ aumentou a oferta em maio em três vezes o volume planejado

Veja a seguir outros destaques desta manhã de sexta-feira (4 de abril):

- Trump aberto a negociações. O presidente americano disse que está aberto a reduzir suas tarifas se outras nações puderem oferecer algo “fenomenal”, o que indica que a Casa Branca está aberta a novos acordos. “As tarifas nos dão grande poder de negociação”, disse Trump.

- Stellantis tem dívida rebaixada. A agência de classificação de riscos Fitch Ratings rebaixou a dívida de longo prazo da montadora para BBB, por pressões de custos ligadas às tarifas sobre o setor automotivo. A Stellantis fabrica cerca de 40% dos carros que vende nos EUA fora do país.

- Santander confirma metas. O banco confirmou todas as metas financeiras para este ano, mesmo depois do anúncio de tarifas do presidente Trump. “É em tempos desafiadores que o valor de nossa diversificação é mais aparente”, disse, em comunicado, a presidente do conselho da instituição, Ana Botín.

mercados globais nesta sexta-feira (4 de abril)
🔘 As bolsas ontem (03/04): Dow Jones Industrials (-3,98%), S&P 500 (-4,84%), Nasdaq Composite (-5,97%), Stoxx 600 (-2,57%), Ibovespa (-0,04%)

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-- Com informações da Bloomberg News.

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