Ray Dalio se reúne com autoridades da China e sugere acordo com EUA sobre yuan

Hipotético entendimento para fortalecer moeda chinesa, o que tiraria competitividade de exportações do país, poderia levar à flexibilização das tarifas comerciais, diz fundador da Bridgewater

Ray Dalio tem sido há muitos anos um dos grandes investidores que mais entendem sobre o funcionamento da economia da China
Por Ye Xie
04 de Abril, 2025 | 06:17 PM

Bloomberg — Os Estados Unidos e a China poderiam negociar um acordo para fortalecer o yuan em troca de uma flexibilização das tarifas comerciais, de acordo com Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, que recentemente se reuniu com autoridades chinesas.

“Posso imaginar negociações sobre um acordo entre a China e os Estados Unidos para fortalecer o RMB da China em relação ao dólar americano em troca de algum alívio comercial”, escreveu Dalio em um post na plataforma X nesta sexta-feira (4). RMB é a abreviação de renminbi, a moeda chinesa.

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“Se isso [o acordo] acontecesse, seria mais deflacionário e deprimente para a China, o que, por sua vez, precisaria levar a uma política monetária e/ou fiscal mais afrouxada”, acrescentou Dalio.

Os comentários foram feitos depois que Dalio se reuniu com autoridades chinesas, incluindo o vice-primeiro-ministro He Lifeng, o presidente do banco central, Pan Gongsheng, e o ministro do comércio Wang Wentao.

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Dalio, um dos investidores mais bem-sucedidos do mundo nas últimas décadas, é considerado um dos principais especialistas na economia da China e no funcionamento do país, dada a sua aposta e seu relacionamento de longa data com o país asiático.

Na sexta-feira, a China disse que aplicará uma tarifa de 34% sobre todas as importações dos EUA, igualando o nível das chamadas tarifas recíprocas impostas aos produtos chineses anunciadas na quarta-feira (2).

O presidente Donald Trump criticou a retaliação da China contra seu amplo plano tarifário e prometeu que suas políticas econômicas “nunca mudarão”.

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O yuan pouco se alterou nesta semana, depois que o banco central chinês deu suporte à moeda, estabelecendo taxas de referência diárias mais fortes do que o esperado.

Historicamente, as autoridades chinesas têm se mostrado relutantes em permitir que o yuan se fortaleça demais - o que tira competitividade das exportações do país.

Elas consideram que a valorização do iene japonês após o Plaza Accord na década de 1980 contribuiu para a chamada “década perdida” no Japão.

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