Este país europeu foi um crítico ‘feroz’ ao acordo com o Mercosul. Agora pede pressa

‘Precisamos desse acordo agora’, diz ministro da Economia da Áustria, Wolfgang Hattmannsdorfer, à luz de tarifas de Trump; país tem sido opositor de longa data ao acordo de livre comércio da UE

O tema sensível de livre comércio é afetado pela guerra de tarifas promovida por Donald Trump
Por Marton Eder
05 de Abril, 2025 | 10:28 AM

Bloomberg — As tarifas globais do presidente Donald Trump estão convencendo a Áustria a abandonar sua oposição de longa data ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

O ministro da Economia, Wolfgang Hattmannsdorfer, agora pede à Comissão Europeia que prepare um acordo final e um processo de ratificação para o acordo de livre comércio assinado em dezembro, que busca criar um mercado integrado de 780 milhões de consumidores na Europa e na América Latina.

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“Devemos avaliar o acordo do Mercosul em um contexto completamente novo”, disse Hattmannsdorfer em um comunicado neste sábado (5). “Precisamos desse acordo agora.”

A mudança significa que há menos uma nação europeia em oposição ao pacto que se seguiu a 20 anos de negociações.

Alguns países europeus, incluindo a França e a Polônia, disseram que não aceitarão o acordo devido ao seu possível impacto sobre os agricultores, o que levanta questões sobre sua implementação.

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Isso também mostra como o ataque de Trump à ordem econômica global começa a forçar diferentes nações a se adaptarem rapidamente, inclusive por meio de novas alianças comerciais e a busca de mercados para produtos de exportação que talvez não cheguem mais aos EUA.

Os ministros do comércio da UE devem se reunir na segunda-feira (7) para discutir as medidas dos EUA.

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu uma resposta firme e proporcional, mas também indicou que a UE preferiria evitar um confronto e, em vez disso, encontrar uma solução negociada nas próximas semanas.

Os comentários de Hattmannsdorfer são ainda mais notáveis por virem de um ministro nomeado pelo conservador Partido Popular, que está profundamente enraizado na zona rural da Áustria e tem sido cauteloso em não afetar os agricultores, em um cenário de popularidade crescente para o Partido da Liberdade, de extrema direita.

O governo da Áustria está à procura de tirar a economia do que provavelmente será um terceiro ano de recessão, ao mesmo tempo em que reduz o déficit orçamentário e ajuda um setor industrial prejudicado por tarifas e altos custos de energia.

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"As objeções ao acordo original são compreensíveis", disse Hattmannsdorfer, 45 anos, que assumiu o cargo em março. Mas as vantagens e oportunidades para a Áustria como exportadora superarão essas objeções, disse ele.

O Mercosul, o mercado econômico regional estabelecido em 1991, tem cinco membros plenos - Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. A Venezuela é membro pleno e está suspensa desde 2016. Sete outros países da América do Sul e Central são membros associados.

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