Bloomberg — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ação executiva orientando o Departamento de Comércio a examinar possíveis tarifas sobre o cobre.
Esta é a mais recente de uma série de medidas para impor taxas de importação específicas por setor que poderiam reconfigurar cadeias globais de suprimentos.
Trump disse que a ordem teria um “grande impacto” ao assiná-la no Salão Oval, acompanhado pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick.
Autoridades do governo na terça-feira (26) classificaram a etapa como necessária para abordar o que eles disseram ser uma questão de segurança nacional.
Elas argumentaram que o dumping e o excesso de capacidade nos mercados mundiais vêm impactando a produção doméstica de cobre dos EUA, deixando os sistemas de armas e outros produtos críticos dependentes de importações.
As autoridades, em um briefing para repórteres sob condição de anonimato, disseram que era prematuro discutir uma taxa potencial para as tarifas.
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O cobre é um material crítico para economias modernas por causa de seu uso generalizado na fiação que leva eletricidade para residências e fábricas.
Muitos analistas preveem preços mais altos nesta década, pois a oferta não consegue acompanhar a demanda.
Assim como em outros metais, o domínio da China é particularmente forte quando se trata de processamento — o país foi responsável por cerca de 44% do cobre refinado do mundo no ano passado, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Grande indústria
A investigação será realizada sob a Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio, que garante ao presidente ampla autoridade para impor restrições comerciais por motivos de segurança interna.
Trump também está usando este mesmo instrumento para impor tarifas de 25% sobre dois outros metais industriais — aço e alumínio — com estas tarifas programadas para entrar em vigor em março.
Lutnick disse em um comunicado que a ação também investigaria produtos que incluem cobre, e disse que a administração visava rejuvenescer a indústria doméstica de cobre.
“Assim como nossas indústrias de aço e alumínio, nossa grande indústria americana de cobre foi dizimada por atores globais que atacam nossa produção doméstica”, afirmou Lutnick. “As tarifas podem ajudar a reconstruir nossa indústria de cobre, se necessário, e fortalecer nossa defesa nacional.”
Peter Navarro, um assessor comercial de Trump, destacou a China, dizendo que o país “há muito tempo usa a sobrecapacidade industrial e o dumping como uma arma econômica para dominar os mercados globais, sistematicamente prejudicando os concorrentes e tirando as indústrias rivais do negócio.”
Os EUA consumiram cerca de 1,6 milhão de toneladas de cobre refinado em 2024, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA.
Embora os EUA tenham minas significativas, que produziram cerca de 850.000 toneladas de cobre primário no ano passado, o país ainda depende de importações de aliados comerciais importantes para atender à demanda.
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O Chile é a maior fonte de importação, respondendo por 38% do volume total dos volumes de importação, seguido pelo Canadá e México, com 28% e 8%, respectivamente.
As importações líquidas de cobre representaram 36% da demanda, de acordo com uma pesquisa do Morgan Stanley.
Os comentários de Trump no mês passado de que ele pretendia implementar tarifas sobre o cobre foram uma surpresa para o mercado de cobre negociado fisicamente, já que a commodity essencial havia ficado de fora na guerra comercial do presidente durante seu primeiro mandato.
Jia Zheng, chefe de trading da Shanghai Soochow Jiuying Investment Management, disse que o comércio continuaria a se afastar da China, com o spread entre a bolsa de Xangai, a LME e a Comex permanecendo amplo durante o período da investigação.
Dada a produção doméstica limitada, ela afirmou que a oferta de cobre na China ficaria sob pressão. “Os preços subirão globalmente”, acrescentou Jia.
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