Bloomberg Línea — A economia brasileira está entre as mais fechadas do mundo, ou seja, tem limitada exposição ao comércio exterior - e isso inclui os Estados Unidos. Além disso, tem uma pauta de exportações considerada diversificada.
Mas isso não significa que o país esteja imune às chamadas tarifas de reciprocidade que o presidente Donald Trump promete detalhar a partir das 17h desta quarta-feira (2) no horário de Brasília em evento no jardim da Casa Branca, em Washington DC.
“Particularmente economias de mercados emergentes em que as tarifas enfrentadas pelos exportadores dos EUA superam as cobradas sobre as importações dos EUA provenientes desses países [estão mais expostas]”, apontaram economistas da Fitch Ratings em relatório.
“Brasil, Índia, Tailândia, Malásia, África do Sul, Turquia e, considerando a média simples das tarifas, Vietnã e Indonésia, impõem tarifas significativamente mais altas sobre exportações dos EUA em comparação com as tarifas aplicadas pelos EUA às importações desses países”, escreveram Olu Sonola, Head de Pesquisas Econômicas para os EUA, e Brian Coulton, economista-chefe, ambos da Fitch.
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Esse quadro pode se agravar se o governo Trump levar em consideração para a imposição de taxas recíprocas as barreiras não tarifárias, como sanitárias, por exemplo.
“A tarifa média ponderada pelo volume de importações do Brasil é cerca de 5,8%, contra cerca de 1,3% dos EUA”, apontaram em relatório os analistas Iana Ferrão e Pedro Oliveira, do time de research do BTG Pactual.
Por outro lado, segundo eles, “o protecionismo brasileiro decorre sobretudo do uso de barreiras não tarifárias, mais do que das tarifas”.
Nesse caso, a discrepância do país versus o mundo é maior: o Brasil tem um índice de BNT (coverage ratio) de 86,4%, acima dos EUA (77%) e da média internacional (72%).
“A diversificação da pauta de exportação do Brasil limita o impacto geral sobre a balança comercial caso as tarifas sejam impostas apenas em determinados setores”, escreveram os analistas do BTG Pactual.
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Mas eles apontaram que isso se aplica de modo geral; no recorte específico, a situação muda. “Segmentos altamente dependentes do mercado norte-americano poderão sofrer efeitos significativos.”
Segundo os analistas da área de pesquisas do banco de investimento, “produtos como semimanufaturados de ferro e aço (que destinam 72,5% de suas exportações aos EUA), aeronaves (63,2%), materiais de construção (57,5%), etanol (48,5%), madeira e derivados (43,3%) e petróleo e derivados (27,9%) estão entre os mais vulneráveis à aplicação de tarifas”.
Por outro lado, Iana Ferrão e Pedro Oliveira apontam que, “se houver adoção de uma lógica de reciprocidade ‘produto a produto’, algo que nos parece menos provável, algumas categorias poderiam ser menos afetadas (como petróleo e derivados).
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