Bloomberg Línea — A entrada em vigor das chamadas tarifas comerciais recíprocas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, nesta tarde de quarta-feira (2) pode colocar o Brasil como um dos alvos preferenciais, ainda que, para o país, esse impacto seja de alcance limitado em comparação com outras nações.
Isso porque a economia brasileira está entre as mais fechadas do mundo, ou seja, tem limitada exposição ao comércio exterior - e isso inclui os Estados Unidos.
Por ora, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem adotado um tom mais cauteloso de espera pela eventual confirmação de tarifas comerciais contra produtos e serviços do país.
“Estamos mostrando que não há nada melhor para um país como o Brasil do que apostar no multilateralismo. Somos favoráveis ao livre-comércio, não queremos protecionismo”, disse Lula no último sábado (29) em viagem oficial ao Vietnã.
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Enquanto o anúncio com os detalhes não acontece - está marcado para às 17h desta quarta no horário de Brasília, o Congresso brasileiro avaliou que é necessário estar preparado: isso significa já contar com o “ferramental” regulatório para que o país possa reagir se avaliar isso será necessário para defender a economia e as empresas impactadas pelas tarifas.
Nesta terça-feira (1), o Senado aprovou em caráter de urgência no plenário o projeto de lei que concede ao governo o direito de reciprocidade em caso de medidas comerciais que afetem o país, justamente como as anunciadas - mas ainda não detalhadas por Trump.
O projeto seria encaminhado na sequência para apreciação pela Câmara dos Deputados.
Segundo o projeto, de autoria do senador Zequinha Marinhos (Podemos-Maranhão) e relatado pela senadora Tereza Cristina (PP-Mato Grosso), o país poderá adotar as seguintes medidas:
- Impor tributos, taxas ou restrições sobre importações de bens ou serviços de um país;
- Suspender concessões comerciais ou de investimentos;
- Suspender concessões relativas a direitos de propriedade intelectual.
“Esse projeto é de interesse do país. Por isso a urgência, para que o Brasil tenha instrumentos de defesa, se tiver alguma retaliação aos seus produtos”, disse Cristina à Agência Senado.
- Com informações da Agência Senado.
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