Bloomberg — Os planos do governo da Arábia Saudita para outra oferta multibilionária de ações da Aramco ganham força, e qualquer transação seria uma das maiores vendas de ações do mundo nos últimos anos, disseram pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Bloomberg News.
O reino tem trabalhado com vários assessores para estudar a viabilidade de uma oferta subsequente - um follow-on - na Bolsa de Riad, segundo as pessoas, que pediram para não serem identificadas. Uma decisão pode ser tomada nas próximas semanas sobre seguir em frente, disseram.
O governante da Arábia Saudita, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, disse em janeiro de 2021 que o governo tentaria vender mais ações da gigante estatal de petróleo no futuro, com os recursos transferidos para o fundo soberano do reino. A oferta da Aramco pode ocorrer ainda este ano se o governo for adiante, embora nenhum cronograma preciso tenha sido definido, disseram as fontes.
Mesmo uma oferta de 1% captaria mais de US$ 20 bilhões para o reino, que embarca em um ambicioso plano de investimentos para diversificar sua economia doméstica. O governo saudita controla diretamente cerca de 90% da Aramco, com outros 8% detidos por seu fundo soberano.
A ação da Aramco chegou a cair 4,7% nesta terça-feira. A maior empresa de energia do mundo tem um valor de mercado aproximado de US$ 2,1 trilhões. Neste ano, o desempenho das ações da Aramco supera o de gigantes petrolíferas ocidentais, como a Exxon Mobil.
Aumento de dividendos
Nenhuma decisão foi tomada sobre o tamanho exato da possível oferta, e o reino pode decidir não prosseguir se as condições do mercado não forem favoráveis, disseram as pessoas. Um representante da Aramco não quis comentar.
Uma oferta secundária de ações da Aramco pode atrair novos investidores depois de a companhia elevar seu dividendo-base em março e dizer em maio que também distribuiria mais pagamentos aos acionistas com o excesso de caixa livre.
A empresa é a maior pagadora de dividendos do mundo, com previsão de pagar cerca de US$ 80 bilhões neste ano.
A Aramco está sob pressão de acionistas para pagar mais e melhorar sua atratividade em relação a rivais como BP e Shell, que têm desembolsado bilhões por meio de dividendos e recompras.
Os retornos extras podem elevar os dividendos de acionistas da Aramco, que já são os maiores do mundo, em até US$ 20 bilhões este ano, segundo estimativas de analistas. Isso ajudaria a atrair novos investidores globais para participar de uma oferta.
Desaceleração das listagens
Muitos contestaram as expectativas de “valuation” do governo saudita e o baixo rendimento da Aramco em comparação com rivais do setor durante a oferta pública inicial da companhia em 2019. A Aramco levantou quase US$ 30 bilhões com seu IPO, o maior de todos os tempos, apesar de se apoiar quase inteiramente em investidores locais.
Os preços do petróleo caíram bastante desde meados do ano passado, depois que a economia global perdeu força e bancos centrais subiram os juros para combater a inflação.
A Arábia Saudita anunciou um corte surpresa na produção de petróleo em abril, juntamente com outros membros da aliança Opep+, em uma ação que o governo de Riad descreveu como “medida de precaução destinada a apoiar a estabilidade do mercado de petróleo”.
A Arábia Saudita, normalmente entre os mercados para listagem mais movimentados do Golfo, está quieta este ano, enquanto outras bolsas como Abu Dhabi entraram no centro das atenções. A Aramco adiou uma oferta pública inicial planejada de sua unidade de trading de energia em Riad, informou a Bloomberg News no início deste mês.
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