Light, em batalha com credores, pede recuperação judicial com dívida de R$ 11 bi

Empresa de distribuição de energia do Rio, que já havia obtido liminar em abril para suspender pagamento de obrigações, quer novos termos para concessão

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Bloomberg Línea — A Light (LIGT3), principal companhia de distribuição de energia do estado do Rio de Janeiro, entrou com pedido de recuperação judicial nesta sexta-feira (12) perante a 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, em caráter de urgência.

O ajuizamento do pedido de RJ compreende obrigações de cerca de R$ 11 bilhões, segundo comunicado divulgado nesta manhã.

A Light está em batalha legal com credores há semanas para tentar renegociar a dívida nos seus termos. Diante do insucesso, a empresa já havia conseguido há um mês uma liminar na Justiça do Rio para suspender provisoriamente o pagamento de suas obrigações, em instrumento entendido como preparatório para a recuperação judicial.

As ações da companhia acumulam desvalorização da ordem de 80% nos últimos dois anos, apesar de recente recuperação no último mês com o interesse de certos investidores, como a WNT Gestora de Recursos, que adquiriu uma fatia de 15,21% do capital social da empresa.

A empresa atende 31 municípios no estado do Rio e cerca de 11,6 milhões de consumidores, segundo informações no site da própria companhia.

De acordo com a companhia no comunicado ao mercado, os desafios oriundos da atual situação econômico-financeira da empresa e algumas subsidiárias mantêm e vêm se agravando, “o que demanda a tomada urgente de outras medidas que possam protegê-las até que seja possível implementar o referido equacionamento do seu endividamento e a readequação da sua estrutura de capital”.

No comunicado, a companhia reforça que vem nos últimos meses, “em conjunto com seus assessores financeiros e legais, avaliando alternativas e empreendendo esforços na busca do equacionamento de obrigações financeiras próprias e de outras pelas quais é também coobrigada”.

No ano passado, a Light registrou seus piores resultados desde pelo menos 2006, com a desaceleração econômica reduzindo a demanda de grandes clientes e fazendo crescer a inadimplência de pessoas físicas, enquanto seus níveis de endividamento dispararam devido ao aumento da taxa de juros.

A empresa está em processo de renovação da concessão e pede novos termos junto ao órgão regulador, a Aneel, para que possa ser remunerada da maneira que considera mais adequada, citando em particular as perdas decorrentes de índices elevados de furtos de energia em cidades do estado.

- Matéria em atualização.

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