Ministro da Defesa busca justiça e pacificação após invasões de manifestantes

Em entrevista à Bloomberg, José Múcio Monteiro afirma que os envolvidos ‘precisam ser punidos’ para que episódios assim não se repitam

'Agora estamos em um processo de pacificação'
Por Simone Iglesias - Martha Beck
26 de Janeiro, 2023 | 05:18 PM

Bloomberg — O Brasil punirá todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro contra o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva para garantir que ataques contra as instituições democráticas nunca mais aconteçam, segundo o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.

A maior democracia da América Latina ainda se recupera depois que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, relutantes em aceitar a derrota nas eleições do ano passado, vandalizaram o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto em Brasília apenas uma semana após a posse de Lula. O episódio gerou indignação internacional e uma crise entre o governo e as forças de segurança brasileiras, incluindo militares.

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“Atacaram nossa democracia”, disse Múcio, um político experiente que sempre teve bom relacionamento com Lula e muitos generais, durante uma entrevista em seu gabinete na quarta-feira (25).

“Todos os envolvidos serão punidos e precisam ser punidos para que tais episódios não se repitam.”

Contraste com militares

A ênfase na “necessidade” de punição contrasta com a estratégia inicial branda do ministro de lidar com os manifestantes anti-Lula e os militares – uma instituição que se envolveu profundamente no governo de seu antecessor, ele mesmo um ex-capitão do Exército.

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Desde a derrota de Bolsonaro em outubro passado, seus apoiadores acampavam em frente a quartéis do Exército em todo o país, exigindo uma “intervenção militar” para impedir a posse do novo governo.

A nomeação de Múcio por Lula marcou o retorno de um civil ao Ministério da Defesa, que controla as Forças Armadas. No entanto, o ministro não ordenou imediatamente que o Exército dispersasse os acampamentos pró-Bolsonaro, apostando que eles se desmobilizariam com o tempo.

Sua abordagem não conflituosa foi duramente criticada dentro da coalizão de Lula quando ficou claro que os acampamentos também abrigavam radicais que conspiravam para derrubar o presidente.

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Múcio sobreviveu aos pedidos de renúncia com o apoio público de Lula e, em 21 de janeiro, demitiu o chefe do Exército, general Júlio César de Arruda. O ministro evitou comentar as críticas dos aliados de Lula, mas descreveu a demissão do general como necessária para reatar as relações entre o novo governo e os militares.

Lula reclamou publicamente que o Exército, sob o comando de Arruda, não havia feito nada para defender o palácio presidencial dos desordeiros. Suas críticas, juntamente com a possível punição de oficiais militares envolvidos nos distúrbios, correm o risco de estreitar ainda mais os laços com as forças armadas.

A estratégia de Múcio para reduzir as tensões com os militares depende de sua nova escolha como comandante das tropas, o general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, que tem defendido abertamente os resultados eleitorais e o papel apolítico das Forças Armadas.

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Paiva tem sido fundamental para reduzir as tensões e reorganizar a relação entre o governo e os militares, disse Múcio, acrescentando que essas mudanças levarão algum tempo a consolidar-se.

“Agora estamos em um processo de pacificação”, disse ele. “Tenho certeza de que o que aconteceu em 8 de janeiro não acontecerá novamente.”

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