Conhecer a tecnologia blockchain é a chave para melhorar a regulamentação da criptoeconomia

Especialistas em regulamentação e segurança discutem os desafios da criação de regras e políticas para o desenvolvimento da criptoeconomia na América Latina.

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Nos últimos meses, vários fatores de mercado impactaram a confiança na indústria de criptomoedas. Há uma necessidade crescente de falar sobre os desafios e oportunidades que irão fortalecer a transparência e a segurança no ecossistema. Então como podemos promover a clareza na regulamentação para que mais pessoas possam participar com mais confiança? Essa é a pergunta respondida no evento O Futuro da Criptoeconomia na América Latina e no Caribe.

Para conhecer os desafios da regulamentação das criptomoedas, convidamos quatro especialistas em segurança e regulamentação tecnológica na região:

  • Pamela Clegg, Vice-Presidente de Investigações Financeiras da CipherTrace.
  • Eric Parrado, Economista-Chefe e Gerente Geral do Departamento de Pesquisas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
  • Felipe Vallejo, Chefe de Assuntos Regulatórios e de Políticas Públicas da Bitso.
  • María Pía Aqueveque, CEO e Fundadora, Maqueveq & Co.

A primeira a dar uma visão geral do assunto foi Pamela Clegg, que recomendou que os órgãos reguladores e os bancos centrais compreendessem como funciona a tecnologia, neste caso, as criptomoedas, para criar as regras necessárias para permitir seu uso. Ela também sugeriu a revisão das recomendações feitas por instituições como o Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) para compreender a tecnologia.

Sobre a América Latina, Clegg destacou o trabalho que está sendo feito na Argentina e no Brasil, onde as empresas que operam com criptomoedas respondem bem aos órgãos reguladores, diz a especialista.

“Estes países não têm regulamentação, mas a regulamentação precisa ser criada com pensamento e comunicação com o setor”. - Pamela Clegg

Na segunda parte do painel, Eric Parrado e María Pía Aqueveque destacaram a necessidade particular que cada país apresenta para o uso das moedas digitais. Por um lado, Parrado comentou que é preciso ter cuidado com o uso das criptomoedas, pois elas não atendem às condições da moeda corrente: ser uma reserva de valor, servir como uma unidade de conta e ser um meio de troca. Por outro lado, Aqueveque mostrou o exemplo de países como a Suíça, onde a inovação é promovida e as pessoas são convidadas a aprender sobre tecnologia para criar melhores políticas.

“Regulamentação é como ter freios no carro: você pode ir mais rápido porque sabe que pode frear.” - Felipe Vallejo

Felipe Vallejo, o quarto painelista, afirmou que a blockchain é uma tecnologia muito rápida, na qual os avanços acontecem a cada três ou quatro meses, o que se torna o principal desafio para as empresas da criptoeconomia, que procuram oferecer o que há de mais moderno aos clientes. Ele também apontou que o cumprimento das regras e regulamentos é uma política da Bitso, mesmo quando estes não são claros nos territórios onde operam.

CONFIRA O PAINEL COMPLETO:

SOBRE O EVENTO:

“O futuro da criptoeconomia” foi um evento de dois dias que contou com a participação de mais de 10 especialistas no assunto na América Latina e no mundo. O primeiro painel que abriu a conversa ficou a cargo de Neha Narula, diretora da iniciativa de moeda digital do Massachusetts Institute of Technology (MIT); e Walter Pimenta, Vice-Presidente Executivo de Produtos e Inovação da Mastercard para América Latina e Caribe, que ofereceram suas opiniões de um ponto de vista global.

O painel “Navegando o ambiente regulatório em evolução na América Latina e no Caribe” contou com a participação de quatro especialistas no tema: Eric Parrado, Economista-Chefe e Gerente Geral do Departamento de Pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento; María Pía Aqueveque, CEO e Fundadora da Maqueveq & Co; Pamela A. Clegg, Vice-Presidente de Investigações Financeiras da CipherTrace, e Felipe Vallejo, Chefe de Regulamentação da Bitso.

O segundo dia trouxe o painel “Como a criptoeconomia está impactando vidas”, com a participação de Thales Freitas, CEO da Bitso Brasil, e Daniel Mangabeira, diretor sênior de relações institucionais da Binance. O evento foi encerrado com o painel “NFTs, Web 3.0 e seu impacto nas artes e esportes na América Latina: potencial e cases para o futuro”, com Roberto Ramirez Laverde, Vice-Presidente Sênior de Marketing e Comunicação da Mastercard América Latina e Caribe; Jeff Zeller, Diretor Sênior de Parcerias e Marketing de NFTs na Crypto.com, e uma entrevista com Eloisa Cadenas, CEO da Cryptofintech.

Confira a transmissão completa do evento em https://www.bloomberglinea.com.br/futuro_da_criptoeconomia/