Por que a Vamos quer captar até R$ 1 bilhão em follow-on

Subsidiária do Grupo Simpar aprova oferta subsequente para levantar recursos destinados ao aumento de frota

Grupo Vamos planeja usar o dinheiro captado em oferta subsequente de ações para aumentar frota
12 de Setembro, 2022 | 02:51 PM

A Vamos (VAMO3), empresa de locação de caminhões, máquinas e equipamentos, pertencente ao Grupo Simpar, vai tentar captar até R$ 1,05 bilhão em uma oferta subsequente (follow-on). Analistas consideraram a aprovação da oferta como positiva e destacaram a expectativa de que a captação seja bem-sucedida.

A distribuição pública primária prevê a venda inicial de 48,4 milhões de novas ações. Até a data de conclusão do bookbuilding, o número de ações poderá ser acrescido em até 50% do total ofertado inicialmente, pelo mesmo preço inicial, totalizando 72,6 milhões de ações.

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A cotação de fechamento na última sexta-feira (9) foi de R$ 14,46, o que resultaria em um montante total da oferta restrita de R$ 700 milhões, ou R$ 1,05 bilhão, considerando as ações adicionais.

“É uma das poucas empresas a conseguir fazer esse tipo de oferta sem precisar conceder um desconto relevante no preço da ação frente à cotação de mercado. Como o modelo de negócio da empresa é intensivo em capital, em virtude de precisar adquirir os caminhões e/ou máquinas para locá-las, é natural que a empresa necessite de mais recursos para continuar crescendo. Somente nos seis primeiros meses deste ano, a companhia já investiu mais de R$ 3 bilhões na aquisição de ativos”, disse José Eduardo Daronco, analista da Suno Research, em nota.

Com mais de 33 mil veículos locados e em atuação em todo território nacional, a Vamos, que abriu capital em janeiro de 2021, possui uma rede de concessionária composta por 40 lojas próprias das marcas Transrio (Volkswagen Caminhões e Ônibus), Fendt (máquinas agrícolas premium), Valtra (máquinas e equipamentos agrícolas) e Komatsu (distribuidor de máquinas e equipamentos de linha amarela), além 11 de lojas de seminovos.

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“A Vamos tem observado uma demanda muito forte pela locação dos seus ativos, decorrente tanto de preços muito competitivos que a empresa consegue oferecer, como também do envelhecimento da frota de caminhões brasileira”, escreveram os analistas da Eleven Financial, Alexandre Kogake e Pedro Pimenta. A instituição tem recomendação de compra para a ação da companhia com preço-alvo de R$ 19.

“Os recursos líquidos da oferta serão destinados para crescimento orgânico com aquisição de caminhões e máquinas, alinhado com a estratégia da companhia, que visa aproveitar a baixa penetração da locação de veículos pesados e ganhar market share no setor. Além disso, vemos o movimento como um aumento da vantagem competitiva de escala após o anúncio de entrada de players capitalizados no mercado de locação de pesados (Randon e Gerdau)”, escreveram os analistas da Eleven, em nota.

Na avaliação deles, o aumento do capital dará ainda mais espaço em balanço para a companhia continuar com o ritmo acelerado de crescimento, dado seu nível de alavancagem já próximo ao covenant (3,3x no 2T22 vs. 3,75x de covenant).

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“A oferta é restrita aos investidores institucionais, mas os atuais acionistas terão direito de prioridade, o qual sugerimos que seja exercido em razão da visão positiva que temos sobre a tese de investimento e para evitar a diluição de 5,0% (ou 7,5%, considerando a colocação das ações adicionais)”, citaram Kogake e Pimenta.

A subsidiária do Grupo Simpar reportou um lucro líquido recorde de R$ 142,5 milhões no segundo trimestre, alta de 42,4% em 12 meses, com a receita líquida alcançando R$ 1,199 bilhão entre abril e junho, um aumento de 80,1% em comparação ao mesmo período de 2021.

Ao comentar o resultado no dia 29 de julho, o CEO da companhia, Gustavo Couto, já falava no plano de acelerar o ritmo de crescimento em diferentes segmentos de negócios, após a conclusão da aquisição, em julho, da Truckvan, empresa de produção e customização de implementos rodoviários para veículos pesados.

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Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 29 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.