Fed não resolve sozinho inflação com raízes fiscais, diz estudo em Jackson Hole

Paper apresentado no simpósio anual de banqueiros centrais aponta que o Fed não teria conseguido resultados melhores se tivesse subido os juros antes

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (à direita), Lael Brainard, vice do Fed, e John Williams, presidente do Federal Reserve de New York, no simpósio de Jackson Hole, no estado de Wyoming, em agosto de 2022
Por Matthew Boesler
28 de Agosto, 2022 | 10:15 PM

O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, não será capaz de conter as pressões inflacionárias porque elas estão enraizadas na política fiscal expansionista, de acordo com um paper apresentado no simpósio anual do Fed em Jackson Hole no sábado (27).

“O fato de aproximadamente metade do recente aumento da inflação ter raízes fiscais apresenta alguns desafios específicos para os formuladores de políticas hoje. Não apenas a inflação fiscal tende a ser altamente persistente mas também requer uma resposta diferente”, escreveram os autores do artigo, Francesco Bianchi, da Universidade Johns Hopkins, e Leonardo Melosi, do Fed de Chicago.

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O Fed começou a aumentar as taxas de juros em março e, desde então, muitas autoridades disseram que estavam sendo muito lentos para começar a fazê-lo.

Bianchi e Melosi argumentaram, , no entanto, que começar o aperto monetário mais cedo não teria feito muita diferença para a inflação.

“Quando a inflação tem caráter fiscal, a política monetária por si só pode não dar uma resposta efetiva. Para mostrar isso, perguntamos se o aperto da política monetária mais cedo poderia ter evitado o aumento pós-pandemia da inflação nos EUA”, escreveram.

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“O aumento das taxas teria resultado apenas em uma modesta redução da inflação, ao custo de uma grande redução na produção. Essa grande relação de sacrifício surge porque, quando a inflação tem natureza fiscal, o banco central não é o único responsável por sua redução.”

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