Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada da nota originalmente publicada às 7h20)
Depois da euforia de ontem com o Federal Reserve (Fed), há uma queda de braço em curso. De um lado, uma melhora no pano de fundo dos mercados acende o ímpeto comprador. De outro, a forte alta em Wall Street ontem motiva os investidores a embolsar parte dos ganhos. A safra de balanços e indicadores macroeconômicos (destaque para o PIB norte-americano e a inflação na Alemanha) ajudarão a definir o caminho dos negócios, que no começo da manhã davam vitória à realização de lucros.
Instantes atrás, os futuros de índices norte-americanos caíam, sugerindo que o rali de ontem, com as ações de tecnologia marcando o maior salto desde novembro de 2020, pode se estancar com a abertura das bolsas. As big techs ganharão uma atenção especial hoje com os balanços da Amazon, da Apple e da Intel.
Empresas americanas e europeias, que juntas somam mais de US$ 9,4 trilhões em valor de mercado, informarão seus resultados nesta quinta-feira.
→ Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Big techs sob os holofotes do mercado
Na Europa, o Stoxx 600 subia há pouco, apesar do retrocesso maior que o esperado dos indicadores de confiança na Zona do Euro. Em julho, a confiança na economia caiu para 99,0 pontos, contra projeções de 102,0 e os 103,5 da leitura anterior.
Uma vez passada a apreensão quanto ao encontro do Federal Reserve, que ontem aumentou em 0,75 ponto percentual a taxa de juros dos Estados Unidos, os investidores se aferram à percepção de que o cenário está menos sombrio do que antes. Pelo menos por ora.
🏰 Fortaleza empresarial. Apesar do golpe inflacionário, da campanha de aperto monetário ao redor do globo e das incursões das bolsas pelo território de baixa, a temporada de balanços veio para mostrar que boa parte das empresas está mais resistente que o esperado, tanto nos EUA como na Europa. Isso vale, inclusive, para as de tecnologia.
🍃 Somente um sopro? Os investidores agora confiam, sobretudo depois do discurso do presidente do Fed, que se a economia norte-americana entrar em uma recessão, será de forma suave e de fácil reversão. Ontem, Jerome Powell procurou atenuar o temor de um desaceleração econômica, dizendo que o aumento do emprego nos últimos meses tem sido “robusto”.
😇 Bônus comportados. A maior confiança nos mercados, ao menos agora, também guarda relação com os prêmios dos títulos públicos, que oscilam de forma menos frenética que há algumas semanas. O fato de o rendimento dos bônus estar mais controlado influi nas avaliações empresariais, pois projeta um cenário menos intrincado para as taxas de juros. Há pouco, os prêmios dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA caíam, dando margem a uma recuperação em termos de valor nominal.

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (+1,37%), S&P 500 (+2,62%), Nasdaq Composite (+4,06%), Stoxx 600 (+0,47%), Ibovespa ( +1,67%)
Os mercados tiveram uma sessão de fortes ganhos após o Fed subir os juros em 0,75 ponto percentual, para o intervalo de 2,25% - 2,5%, em linha com o esperado. O movimento de aperto monetário, o maior em 40 anos no acumulado das duas últimas reuniões, visa conter a alta desenfreada da inflação. O presidente do Fed, Jerome Powell, disse não descartar outro aumento de igual magnitude na próxima reunião, em setembro. Em Wall Street, o avanço chegou a 4,06% na Nasdaq – na maior alta intradiária desde novembro de 2020.
Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• EUA: PIB/2T22, Preços do PCE/2T22, Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego, Índice Composto Fed Kansas/Jul
• Europa: Zona do Euro (Confiança de Empresas e Consumidores/Jul, Expectativas de Inflação ao Consumidor/Jul); Alemanha (IPC/Jul); Francia (IPP/Jun); Itália (Vendas da Indústria/Mai); Espanha (Vendas no Varejo/Jun, Taxa de Desemprego/2T22, Confiança Empresarial)
• Ásia: Japão (Taxa de Desemprego/Jun, IPC/Jul, Produção Industrial/Jun, Vendas no Varejo/Jun)
• América Latina: Brasil (IGP-M/Jul, Índice de Evolução de Emprego do CAGED/Jun); México (Taxa de Desemprego/Jun)
• Balanços do dia: Samsung, Apple, Amazon, Petrobras, Vale, Mastercard, Nestle, Pfizer, Merck, Thermo Fisher Scientific, L’Oreal, Comcast, Intel, Shell, Linde, TotalEnergies, Sanofi, Honeywell, AB InBev, Volkswagen, Schneider Electric, Air Liquide, Enel, Valero, Santander, EDF, Stellantis, Anglo American, STMicroelectronics, Capgemini, Telefonica, Barclays, PG&E, ArcelorMittal, EDP, BT, Repsol, Roku, First Solar, Hertz
📌 Para amanhã:
• Balanços: Sony, Exxon Mobil, Procter&Gamble, Chevron, AbbVie, AstraZeneca, Colgate-Palmolive, BNP Paribas, Eni, Intesa Sanpaolo, LyondellBasell, Engie, BBVA, NatWest, Citrix. Nutresa, Santander Chile, Itaú CorpoBanca
• CPI da Zona do Euro. EUA: Renda do Consumidor, indicador de sentimento de consumo da Universidade de Michigan
(Com informações da Bloomberg News)