Covid: Hong Kong proíbe aglomerações e toma medidas rigorosas

Após testemunhar os casos dobrando a cada poucos dias, região estabelece as restrições mais rígidas desde o início da pandemia

Nem a China continental, que implanta lockdowns rígidos, passou por um surto dessa magnitude desde que a infecção começou em Wuhan no início de 2020
Por Shirley Zhao - Kari Lindberg
08 de Fevereiro, 2022 | 12:06 PM

Bloomberg — Hong Kong limitará reuniões em residências particulares pela primeira vez desde o início da pandemia de covid-19 na tentativa de impedir que moradores socializem enquanto a região combate um surto que pode frustrar sua estratégia de manter o vírus afastado no longo prazo.

A cidade limitará as reuniões em instalações privadas a duas famílias a partir de quinta-feira (10), mas as autoridades não irão fiscalizar se a regra está sendo seguida. O governo também restringirá as reuniões públicas a duas pessoas – menos que as quatro atualmente – e expandirá a lista de locais onde a entrada é limitada a quem está vacinado a shopping centers, mercados e salões de beleza.

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“Considerando a grave epidemia, espero que o público aceite que temos de voltar ao nível mais rigoroso”, disse a presidente do Poder Executivo Carrie Lam nesta terça-feira (8).

As autoridades estão adotando medidas cada vez mais rigorosas para tentar controlar o surto causado pela variante ômicron, que fez os casos dobrarem a cada poucos dias. Hong Kong registrou um recorde de 625 novas infecções de covid na terça-feira, um aumento significativo para uma cidade que passou meses sem registrar transmissão comunitária e que continua visando uma estratégia “Covid Zero” em linha com a abordagem da China.

Enquanto o continente recorre a novos lockdowns para conter o vírus, as autoridades de Hong Kong indicaram que evitarão essas medidas na cidade, mesmo ao continuarem comprometidas com uma política de pandemia que está deixando o centro financeiro cada vez mais isolado. Os números cada vez mais altos de casos colocaram o sistema de saúde da cidade sob forte pressão, com longas filas para testes e uma abordagem em constante mudança às instalações de quarentena.

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As principais medidas incluem:

  • Salões de beleza e locais religiosos ficarão fechados por duas semanas a partir de quinta-feira e serão incluídos nas áreas de obrigatoriedade de comprovar a vacinação.
  • A obrigatoriedade de apresentação do comprovante começa em 24 de fevereiro e será ampliada a mais instalações, incluindo shoppings e supermercados. Alguns restaurantes implementarão o sistema antes.
  • A comprovação deverá ser inicialmente de uma dose da vacina, passando para duas no final de abril e três no final de junho.
  • O governo alterará sua lei trabalhista para permitir que empregadores demitam funcionários que não podem trabalhar porque não foram vacinados.
  • O governo oferecerá um subsídio de 10 mil dólares de Hong Kong (aproximadamente US$ 1.290) para quem perdeu o emprego com a nova onda.
  • O governo estabelecerá uma nova rodada de auxílios pela covid no valor de 26 bilhões de dólares de Hong Kong (aproximadamente US$ 3,3 milhões).

O surto atual atingiu um nível dificilmente atingido por qualquer outra cidade. A China continental, que implanta bloqueios e testagem em massa em uma escala que Hong Kong não consegue igualar, não passou por um aumento dessa magnitude desde que a infecção começou em Wuhan no início de 2020. No mesmo ano, Melbourne, na Austrália, conteve um surto que atingiu índices semelhantes com um lockdown rigoroso que confinou os moradores em suas casas por três meses.

Não está claro como Hong Kong pode alcançar o mesmo nível de sucesso à medida que evolui com sua promessa de “Covid Zero” sem medidas igualmente rigorosas. E a decisão de não monitorar ativamente as reuniões privadas – principal fonte do atual surto – pode tornar essa medida essencialmente ineficaz. As autoridades afirmaram que somente tomariam medidas de fiscalização se conseguirem rastrear casos positivos oriundos dessa reunião ou suspeitar que houve uma violação, mas não especificaram a sanção.

“Espero que todos percebamos que chegou a hora de Hong Kong tomar algumas medidas restritivas”, disse Lam. “Todas as medidas introduzidas agora foram tomadas em outra jurisdição, incluindo algumas regiões e países com muito orgulho de seus direitos humanos e sua democracia, porque se trata da vida humana”.

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O foco nas medidas locais foi estabelecido após uma repressão à entrada de viajantes internacionais que visava aliviar a pressão sobre a infraestrutura de manejo da pandemia da cidade. O governo continua restringindo voos vindos de oito países, incluindo Reino Unido, Estados Unidos e Austrália, e impôs proibições de voos que trazem muitos casos positivos por duas semanas.

Outras medidas onerosas para a entrada no país incluem quarentena obrigatória de 14 dias – uma redução dos 21 dias anteriormente. Um recente abate em massa de hamsters de estimação suspeitos de trazer a variante delta para a cidade também provocou protestos generalizados e perguntas de especialistas em saúde sobre sua necessidade.

--Com a colaboração de Jenni Marsh.

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--Esta notícia foi traduzida por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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