Bloomberg — (Bloomberg) -- Para investidores e operadores dos mercados físicos que já apostaram em commodities de olho na recuperação pós-pandemia, o rali resultou em ganhos. A Cargill, maior trading de commodities agrícolas do mundo, ganhou mais dinheiro nos primeiros nove meses do ano fiscal do que em qualquer ano inteiro de sua história, com uma receita líquida acima de US$ 4 bilhões.
Na Trafigura, segunda maior operadora de petróleo independente do mundo, o lucro líquido acima de US$ 2 bilhões nos seis meses até o final de março foi quase equivalente ao seu melhor ano recorde registrado anteriormente.
POR QUE ISSO É IMPORTANTE: Pela primeira vez desde os anos anteriores à crise, antes de 2008, o boom das commodities preocupa bancos centrais devido ao efeito na inflação. O rali também terá impacto político. Com o petróleo de volta a US$ 75 o barril, Arábia Saudita e Rússia estão de volta à liderança do mercado global de energia: uma recuperação impressionante depois dos preços negativos há pouco mais de um ano. O boom também é um resultado indesejável para governos que enfrentam a crise climática: o aumento dos preços das commodities tornará a transição mais cara.
PROVÁVEIS CONSEQUÊNCIAS:
- A China, que depende da importação de matérias-primas para operar milhões de fábricas e canteiros de obras, está tão nervosa que o governo tentou pressionar por uma queda dos preços, ameaçando reprimir especuladores e liberar estoques estratégicos. Funcionou até certo ponto - o cobre devolveu todo o ganho este ano -
- O minério de ferro ainda está perto de um recorde, os preços do aço nos EUA triplicaram este ano, o carvão subiu para o maior nível em 13 anos e as cotações do gás natural estão em alta.
CONTEXTO: Com a alta dos preços, também aumentou o interesse de Wall Street. A conferência anual de investidores Robin Hood, que todos os anos reúne pesos-pesados de fundos de hedge como Paul Tudor Jones, Stanley F. Druckenmiller e Ray Dalio, realizou um painel sobre commodities no início de junho, a primeira vez em pelo menos cinco anos que a conferência decidiu debater o mercado de matérias-primas.
O veterano Jeff Currie, que comanda a pesquisa de commodities do Goldman Sachs, aposta em um “bull market” de longo prazo para todas as commodities apesar da recente onda vendedora em metais e grãos, e diz que há espaço para muito mais investimentos no mercado.
“As commodities voltaram a estar na moda”, disse Currie, mas até agora a empolgação com os preços nas alturas ainda não atraiu os fluxos que o setor recebeu durante o boom de 2004-2011.